quarta-feira , 26 julho 2017
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A frescura do romantismo

 
O Liverpool tem que ganhar esta Premier League. É a vitória do puro futebol, até mesmo da bondade…
Parece um pouco de exagero, mas é mais ou menos por aí que os românticos do futebol pensam, e estão especialmente pensando assim nesta disputa espetacular que está ocorrendo na Premier League 2013/14.
Neste ponto, perdem Chelsea e Manchester City, eles não podem ganhar, porque este direito é dado apenas aos grandes e tradicionais, não aos médios ou pequenos, que devem ficar no seu lugar de eterno sofrimento, vexames e seca. Deter um dono ou investidor de peso e poderio financeiro não vale para eles, a única forma aceitável é você montar uma equipe com recursos medíocres e, por um milagre dos céus, conseguir enfrentar os gigantes poderosos na liga mais rica do mundo. É assim que os românticos pensam.
Os românticos declaram guerra ao dinheiro, até porque o Liverpool não precisou gastar muito para montar sua equipe, principalmente naqueles investimentos quase emergenciais logo após a compra pelos americanos. Todo mundo se lembra do Sheikh mostrando serviço ao torrar 33 milhões de libras em Robinho, que não deu certo, um exagero vergonhoso! Mas, não quando os vermelhos pagaram 35 em Andy Carroll, que também não deu certo… Luisito Suarez, grande estrela desta equipe que vem encantando, também veio no pacote de entrada do Fenway Sport Group, e não foi barato…
O importante de analisar esta questão dos altos investimentos externos cada vez mais preponderantes é não generalizar, ver caso a caso. Por exemplo, se olharmos pelo lado da Ligue 1, na França, até compartilho um pouco da visão dos românticos: o turbilhão de dinheiro do PSG estragou um campeonato que, a exceção do período de domínio do Lyon, sempre foi bastante equilibrado, com boa variação de vencedores. Mas, mesmo neste caso, o Mônaco já desbanca como um que deve fazer frente nos próximos anos, existindo uma disputa.
Na Premier League, me desculpem, o efeito foi contrário e para melhor. O dinheiro de City e Chelsea engrandeceu e adicionou novo tempero a disputa. O que seria da Premier sem Mansour e Abramovich? Com a pindaíba do Arsenal e o jejum do Liverpool, presumo que o United estaria com mais ou menos nove títulos seguidos, ótima a disputa não? Será que a Premier teria o valor e prestigio que detém hoje? Eu duvido muito…
Nós melhoramos a disputa, e não existe hegemonia de City ou Chelsea, temos uma liga que é vista e idolatrada em todo o mundo, com um valor de mercado imenso e uma disputa que só a engrandece. Temos seis equipes certas em todo inicio de temporada como favoritas na disputa de cima (fora as surpresas, a exemplo do Everton), seja pela base já formada ou pelo investimento feito na janela. Todos estes investem alto ao menos alguma vez, porque é necessário, não há outro jeito de sonhar com algo. Mesmo para grande parte dos médios/pequenos existe um nível de investimento maior do que os de outras ligas, que seja apenas para se manter na divisão de elite. Faz parte do patamar que a Premier chegou nos dias atuais, ela é nivelada não por baixo como o Brasileirão, mas por cima.
E os românticos agora têm a mania de fazer um comparativo entre o possível triunfo do Liverpool na Inglaterra e a do Atlético de Madrid na Espanha, porque não comparar o segundo com o City? Ora, neste caso o Liverpool é que é grande, tem 18 títulos, o segundo maior campeão. Nós é que estamos aqui para quebrar hegemonias e vencer os gigantes, posto em que merecidamente está a equipe da terra dos Beatles. Não é a toa que em 2012 o título do City também foi do Sunderland, Newcastle, Fulham, Aston Villa, etc. Eles estavam cansados, sedentos, era hora de alguém triunfar sobre a arrogância, algo que a pouco tempo parecia tão improvável, tanto que ao final do jogo contra o QPR o Etihad era um estádio de torcida única: até os torcedores visitantes comemoraram o gol espetacular de Aguero. Aquele gol também foi deles, pois se espelhavam na nossa luta e história de sofrimento, ao qual naquele momento parecíamos tão perto e tão longe de tocar o céu.
Nos últimos dias a frescura na rede se espalhou, e os Reds viraram exemplares, até citando Gerrard por ser jogador de um time só a vida toda como um exemplo diferencial. Diferencial de quê? Existem e existiram vários semelhantes em outros times, até nos vilões, e mesmo que não tenham servido uma equipe só, estão há muito tempo nelas e demonstram amor e dedicação igual. Engraçado e talvez ninguém se lembre, mas o mesmo Gerrard não enfatizou tanto amor pelo Liverpool quando entregou um pedido de transferência ao clube para ir a Londres assinar com o Chelsea, logo o Chelsea! O vilão! Pois é, ele desistiu em meio a inúmeras ameaças de morte. Parece que até para o exemplar capitão o dinheiro, ou a chance de vencer a Premier logo falou mais alto.
Não é desmerecê-lo, pois o reconhecemos como um grande jogador e símbolo do clube, que certamente mereceria encerrar gloriosa carreira com um título doméstico, mas é só uma nota para a mania irritante de glorificar e diferenciar o clube nesta disputa em detrimento dos outros. Todos têm o direito de torcer para eles levarem, vários motivos são legítimos e aceitáveis. O que não se pode é pensar ser superior por isto e vilanizar o City, que disputa legitimamente. Se você é contra a vinda de russos e árabes, paciência, os negócios foram legais, estão aí até agora. Se um dia a fonte de ouro acabar, o problema é nosso, garanto que boa parte vai continuar fiel e torcendo, mesmo que sejam tempos de vacas magras.
Se for para voltarmos de verdade ao futebol romântico e puro, então que voltemos aos tempos do amadorismo, do contrário, saiam do seu mundo de fantasia e passem a viver e aceitar a realidade do futebol moderno. Se existe antítese, certamente o Liverpool não é ela.
 
Júnior Martins
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Sobre João Hugo

Em 29 de dezembro de 2007, fundei o Man City Brazil com o Leonardo e o Fernando. Em 23 de fevereiro de 2017, 10 anos depois, nos tornamos a 1º torcida oficial do Manchester City na América Latina: The Citizens Brasil. O resto é estória pra boi dormir...

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