terça-feira , 21 fevereiro 2017
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Abram alas, pois agora é pra valer!

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Será que o novo camisa 10 irá repetir a temporada brilhante?

 

Citizens, finalmente a espera irá acabar. Nesta segunda feira, precisamente as 16:00, horário de Brasília, 10 de agosto de 2015, iremos visitar o West Bromwich em The Hawthorns. É o pontapé inicial para o City na edição de 2015/16 da Premier League. De agosto a maio teremos 38 rodadas pra tentar retomar a hegemonia nacional da ilha, o que, obviamente, não será fácil.

A pré-temporada do City foi concentrada na Austrália, em partidas contra Adelaide United, Melbourne City, Roma e Real Madrid. Passamos pelo Vietnã para atuar contra a seleção local e encerramos diante do Stuttgart na Alemanha. Nos jogos mais importantes, digamos assim, empatamos em 2 x 2 com a Roma, perdemos de 4 x 1 para o Real Madrid, e 4 x 2 para os alemães.

Teve muita gente que, após os últimos resultados citados, entrou em regime de desespero e previu a pior temporada de todas para o clube, e que “assim num dá pra ganhá a Champions”. Temos que ir com calma e colocar as coisas nos seus devidos lugares, em 2009 o City do Petrov ganhou o troféu Joan Gamper no Camp Nou, diante do Barcelona, e não é por causa disto éramos melhores que o supertime de Pep Guardiola, ou não concordam?

Temos tendência a superestimar a pré-temporada, principalmente em termos de resultados ruins. Na verdade, o resultado geralmente é algo secundário nestas partidas, o importante é colocar os jogadores em ritmo de jogo, testar jovens promessas, variações táticas, etc. Vamos lembrar que contra o time completo do Real tínhamos uma zaga em que o mais velho acabou de completar 20 anos…

Além disto, há a questão da postura, os jogadores claramente se poupam nestas partidas, temendo contusões que os tirem do começo efetivo da temporada, e a própria importância mínima traz aquele corpo mole característico, que nunca vamos ver na partida oficial contra o mais modesto dos times.

De positivo, podemos tirar atuações muito interessantes de Sterling. O recém-chegado dá mostras que terá um ótimo entrosamento com Silva, e vai contribuir demais na armação de jogadas de ataque, ou na própria definição delas. Se muita gente reclamava que Navas só sabia correr e cruzar errado, na assistência aos armadores, agora podemos dizer que temos alguém que corre e impõe qualidade. Certamente calará os críticos de seu valor.

Sterling, que por enquanto é nossa principal contratação para a temporada, e além dele, veio Delph, principal jogador do Aston Villa nos últimos anos, e titular da seleção inglesa. Infelizmente ele não teve uma estréia muito propicia contra o Real, quando se machucou ainda no primeiro tempo, mas certamente será peça importante no rodízio necessário durante a longa temporada. Teremos mais um operário que permitirá as grandes estrelas brilharem.

Kelechi: esperança para o futuro

 

Mais positivo ainda é a incorporação na equipe principal dos jovens Denayer, zagueiro vindo de ótima temporada no Celtic, Rony Lopes, luso-brasileiro que estava emprestado ao Lille, Patrick Roberts, contratado mês passado junto ao Fulham, e apelidado modestamente de “Messi inglês”, e, por fim, Kelechi Iheanacho. Kelechi, aliás, merece menção especial, já que teve grande destaque na pré-temporada. Não que esperemos que ele já comece arrebentando, é normal que sinta a nova responsabilidade, mas certamente é o promovido que deixa a torcida com brilhos nos olhos. Depois de anos de alto investimento em suas categorias, algo que não irá cessar, chega à hora do clube colher seus primeiros frutos e apostar nessa nova geração para a renovação de sua base.

Penso que Pellegrini vai ter que enfrentar certo dilema, tomando-se em conta o final da última temporada. Se imaginarmos que o City voltou a jogar bem com uma escalação mais conservadora, tendo só Aguero a frente, e um meio mais forte, com, naquele caso, Lampard atuando como meia centralizado, junto a Milner e David Silva. Foi uma estratégia que deu certo, e implicaria ele abdicar de vez de seu ímpeto ofensivo, principalmente utilizando este esquema nos jogos mais duros, tanto na Premier League, quanto na Champions.

Infelizmente, perdemos James, e Lampard também foi embora, então, nesse caso, viria o segundo grande dilema: adiantar Yaya Touré de sua posição natural, colocando-o centralizado ao lado de Silva e Sterling/Nasri, quem sabe até De Bruyne, caso este chegue, e disto eu já falei aqui. Para falar a verdade, acho meio improvável que Pellegrini aposte nisso de início, mas se continuarem os mesmo problemas de 2014/15, com Yaya sendo um fardo para a defesa, é de se pensar seriamente em uma alternativa.

Também se espera que esta temporada seja de afirmação para Bony, Fernando e Mangala, após estréias pouco animadoras, o que é de certa forma natural. A defesa, aliás, que foi nosso calcanhar de Aquiles nos últimos tempos é algo a se preocupar, e aí importa um pouco e causa certo temor termos tomado quatro gols em apenas um tempo para o Stuttgart. Parte da solução passa justamente pelo citado no parágrafo anterior, de promover um esquema que passe maior proteção no meio-campo, algo que tem carência obvia quando nossa linha de defesa é Fernandinho e Yaya.

Mas não é só isso, Kompany precisa provar que sua fase negra passou, aliás, que era só uma fase negra e nada mais. Quem assistiu os gols dos alemães sabe que o capitão não fez muita questão de desmentir os períodos turbulentos passados na última temporada. Se isso não acontecer, gente como Denayer virá como um pitbull babando para morder a vaga, e ninguém tem vaga cativa, nem mesmo ele, que inclusive terminou a última temporada como reserva, embora voltando de contusão, e, por coincidência, os números defensivos melhoraram.

Sim, você leu até agora e está sentindo falta de alguma coisa né? Da bendita Champions… Tão endeusada pelos brasileiros. E eu já digo de antemão: A CHAMPIONS NÃO É OBRIGAÇÃO! Ela sequer é prioridade para os torcedores ingleses, que preferem muito mais ter um campeonato caseiro em seu bolso… Pois é, continuamos com um nível abaixo do top three europeu: Barça, Bayern e Real. Todos na Inglaterra estão, é um momento de baixa do futebol da terra da rainha, que há anos não dá as cartas na Europa.

A UCL é uma competição especial, sempre convém lembrar que o Chelsea demorou 10 anos para ganhar a competição deste a compra por Abramovich, e olha que era a obsessão do russo, e ganhou com o pior time em todas as temporadas desde que Roman assumiu, um esquema retranqueiro, treinado por um interino, com o velho Drogba ainda decidindo, e que conseguiu calar os poderosos bávaros em sua casa, depois de eliminar o Barcelona… Logo, se tiver de ser será, e vamos até onde der. Primeiramente vamos torcer por um sorteio finalmente generoso na fase de grupos, e a partir daí fazer uma campanha decente para evitarmos um adversário de peso logo nas oitavas, além de, claro, se jogar contra um Barcelona, nada de querer bater de igual pra igual, não é mesmo, Pellegrini?!

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Sterling: grande contratação da janela

 

A estréia na Premier não é lá uma pedreira, contra o modesto WBA, mas é uma estréia, com todos os seus aspectos peculiares e perigosos, e não teremos o conforto de nossa casa ampliada, ou seja, é um jogo pra se ficar atento. Mas, nas cinco primeiras rodadas, teremos bons testes para o que vem por aí: no próximo domingo já receberemos o Chelsea no Etihad, na rodada seguinte, teremos que visitar o Everton em Goodison Park, e, na quinta rodada, vamos ao temido Selhurst Park, onde duelaremos com o Palace.

A disputa pelo título, como sempre, promete, e é impossível ter a certeza de quem logrará o êxito no final. O Arsenal voltou a ganhar respeito, e títulos, e agora tem confiança para tentar encerrar seu jejum nacional. O United continua indo ao mercado como uma vaca louca em busca de retomar a sua hegemonia, e o Chelsea é obviamente o time a ser batido, onde com certeza defenderá com unhas e dentes que a taça não saia de Stamford Bridge… Por fim, não podemos descartar que o Liverpool contrarie a todos e apronte novamente, como foi há duas temporadas.

Enfim, que rufem os tambores, pois a bagaça vai começar!

Sobre João Hugo

Fundador do Manchester City Brazil.

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