segunda-feira , 29 maio 2017
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Análise da temporada – Meio de campo

Em nosso segundo episódio sobre a atuação dos jogadores na temporada, agora analisaremos os que compõem a meia-cancha. Entre a surpresa de Lampard, a decepção de Yaya, e o grande desempenho de David Silva, vamos as opiniões sobre cada um:

Fernandinho–Depois de surpreender com uma temporada de estréia considerada muito boa em 2013/14, inclusive garantindo vaga na Copa de 2014 no apagar das luzes e desmistificando o péssimo papel que os brasileiros deixaram no clube em épocas passadas, em virtude de seu desempenho com o City, Fernandinho não conseguiu manter o nível na jornada que se passou. Muitas vezes nem foi culpa dele, durante a temporada acabou preterido por Pellegrini em diversos momentos, ficando na reserva, e erradamente no nosso modo de ver, mas a verdade é que ele também não mostrou um nível de atuações que justificasse a titularidade absoluta da equipe. Teve que conviver, a contragosto, com um rodízio na posição até o fim, principalmente com o compatriota Fernando.

Fernando – Possivelmente animado com o sucesso da primeira temporada de Fernandinho, o City resolveu apostar em mais um brasileiro para a volância, e, por feeling ou coincidência, em um brasileiro com o mesmo nome! Algo bem sertanejo… Mas obviamente Fernando não veio apenas pela nacionalidade ou pelo nome, vindo depois de anos de destaque com o Porto, o City buscou alguém para dar uma suficiente proteção a zaga, um cão de guarda que não tinha desde a saída de De Jong. Um meio com Fernandinho e Yaya, que atuou em 2013/14, era considerado por muitos demasiadamente ofensivo, apesar dos títulos e boas atuações do time. O fato é que, por enquanto, a aposta não deu certo. Com números pobres para alguém da função, Fernando não conseguiu se firmar. Teve uma leve melhora na última parte da temporada, mas ainda tem que mostrar mais para convencer a torcida que seu problema foi apenas de adaptação…

Milner – O raçudo e amado pela torcida James Milner foi por mais uma temporada o jogador útil que conhecemos, sempre com atuações consistentes e muita força de vontade para ajudar. Protagonista ele nunca foi, e sabe bem que não tem talento para isso, mas Milner é aquele cara que nunca pode faltar em um elenco, e se encaixa perfeitamente em determinadas situações e confrontos, sendo o verdadeiro 12º jogador. Aliás, muitas vezes o City perdeu partidas em boa parte por Pellegrini não colocar o jogador e fortalecer o meio, como a situação demandava. Em situações em que a equipe estava desfigurada sem suas grandes estrelas, como contra a Roma no Olímpico, James segurou as pontas, e o fez muito bem. Foi vice líder de assistências da equipe na Premier, com 7, e ainda marcou o dobro de gols do que em qualquer outra época com a camisa azul. Mas, apesar de não fazer o tipo reclamão, sempre teve como objetivo atuar mais, ser titular, situação que a cada ano vinha ficando mais longe da realidade no City, principalmente depois da chegada de Pellegrini e seu modo de entender o futebol. Infelizmente, recusou todas as tentativas de renovação, e acabou acertando com o Liverpool essa semana.

Nasri – O francês sempre foi alvo de opiniões dissonantes desde que chegou, mas uma análise séria compreende que ele cresceu muito em importância e efetividade desde a chegada de Pellegrini, sendo o verdadeiro companheiro que Silva precisava na armação, apesar dos momentos de apagão e desaparecimento. 2013/14 foi sua melhor temporada no City, sem dúvidas, marcou 11 gols pela equipe em todas as competições. Então, quando pensávamos que ia desabrochar de vez, viu esta temporada sucumbir diante de lesões, atuando na Premier praticamente em metade das partidas. E a equipe sentiu isso, sem dúvidas, não foi só Yaya que fez falta. Seu melhor momento aconteceu na partida contra a Roma, quando teve que se virar sozinho diante de um meio sem Silva e Yaya, e conseguiu levar o time a classificação improvável, inclusive com um gol. Um momento bizarro que confirmou a temporada decepcionante foi quando, voltando de lesão, se machucou com dois minutos em campo diante do Tottenham, perdendo o final da temporada.

Lampard – A contratação mais inesperada da última janela de verão. Lenda do Chelsea e do futebol inglês em geral, Lampard havia saído do clube após 2013/14 para fazer seu pé de meia e encerrar a carreira na MLS. O destino seria nossa filial e recém fundado New York City. Mas nós também sabemos que o calendário americano gira de forma diferente do europeu, então ele ficaria alguns meses parado, e alguém do City teve a brilhante idéia de pegá-lo “emprestado” do seu filho até janeiro, algo que surpreendeu a muita gente, principalmente torcedores do Chelsea. Frank veio para dar mais uma opção ao elenco, ser reserva, mas, como ninguém se esquece de suas qualidades, acabou agradando muito no começo da temporada, inclusive marcando um gol simbólico, que deu o empate contra seu ex-clube em setembro. Diante de apresentações acima do esperado, o City não teve dúvidas, e em janeiro deu um “pneu” no New York City, prorrogando seu empréstimo até o final da temporada. Como castigo, Lampard viu seu nível de atuações decaír, acabando por ser menos aproveitado por Pellegrini. Só que, como uma fênix, renasceu nos jogos finais da temporada, foi alçado a titular absoluto do meio por Pellegrini, e, por coincidência, a equipe voltou a jogar bem e a vencer. Foi um encerramento digno para quem tanto fez pelo futebol do país.

Navas – Este sim é o jogador mais questionado, e até perseguido pelos torcedores, com certo exagero. Sim, ele não é dotado de grandes qualidades, mas todos sabiam disso na sua contratação, e sabiam qual era a função específica que deveria desempenhar no time, e em quais momentos seria útil. Na fase boa, em 2013/14, ninguém falava muito, e ele teve sua importância para o título, na fase ruim, haveriam de escolher alguém para malhar… Por exemplo, ninguém lembra nessas horas que ele foi o líder de assistências da equipe, junto a Aguero, com 8, tendo uma a mais que David Silva, por exemplo, mas sim dos seus milhões de cruzamentos errados, que realmente existiram. O que quero dizer é: ele realmente é questionável, e sem quaisquer condições de ser titular, mas nunca o culpado pelas decepções dessa temporada, até porque não considero que teve uma variação grande de atuações entre a temporada vitoriosa e a desastrosa, apesar de não ter marcado nenhum gol agora, contra quatro na anterior. É simplesmente um daqueles casos que não é um jogador para o tamanho do City, ponto.

David Silva – Depois de 2011/12, podemos dizer que o Merlin teve sua grande temporada nesta. Com a queda de rendimento de Yaya, e as contusões de Nasri, ele teve que se virar “sozinho” e ser o protagonista da meia-cancha. Faz uma briga boa com Hart sobre ter sido o segundo melhor do time em 2014/15, até porque Aguero é inquestionável e inalcançável na primeira posição… Sua temporada foi tão boa, que desta vez mostrou uma face que era considerada seu “ponto-fraco”, diante de tantas qualidades: a de artilheiro. Foram 12 gols na Premier League, sendo o vice-artilheiro da equipe, de longe seu melhor desempenho neste quesito desde que chegou. E essa evolução foi especialmente importante no final de 2014, quando o time perdeu Aguero contundido. Parecia o fim, mas Silva assumiu o protagonismo em um time sem atacantes, e conseguiu fazer com que o City mantivesse o nível e as vitórias. Teve ainda sete assistências, e, inexplicavelmente, ficou fora da seleção da temporada…

Yaya Touré – Está aí a maior decepçãoda temporada, e nem precisam palavras para descrever, basta mostrar os números: Yaya marcou metade dos gols que havia feito em 2013/14, tanto na Premier, como na temporada em geral. Há um ano ele havia se consagrado e surpreendido ao fazer 20 gols só no campeonato inglês, um recorde para alguém do meio, e espetacular para um “volante”, e não só isso, com Aguero sucumbindo às lesões, ele trouxe a bola para si e comandou o time para o título, com atuações magistrais e liderança inquestionável, terminou sendo para muita gente não só o melhor da Premier, mas também no pódio entre os melhores do mundo. Mas a coisa começou a desandar antes mesmo de a temporada começar, na verdade, logo após a anterior acabar, quando em um episódio de teor idiota, o empresário do jogador afirmou que o mesmo estava triste e poderia deixar o clube por não ter recebido felicitações de aniversário, algo que o próprio Yaya não fez questão de negar… Essa crise depois da alegria do título parecia ser um presságio do que estaria por vir, e, em campo, Yaya se caracterizou muito mais pela displicência e pouca objetividade do que pelas arrancadas e golaços que o consagraram. Sua queda de rendimento, e pouca vontade defensiva, foram consideradas como essenciais para a queda da equipe no geral, e sem muitas contestações. Tudo isso deixa em aberto seu futuro em Manchester para os próximos anos, o City terá que escolher entre vender um jogador teoricamente em decadência, ou encaixá-lo em uma nova função, que o desobrigue ainda mais de papéis defensivos.

Sobre João Hugo

Em 29 de dezembro de 2007, fundei o Man City Brazil com o Leonardo e o Fernando. Em 23 de fevereiro de 2017, 10 anos depois, nos tornamos a 1º torcida oficial do Manchester City na América Latina: The Citizens Brasil. O resto é estória pra boi dormir...

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