sexta-feira , 24 março 2017
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City e o porque do baixo público na Champions League

 

Manchester City FC v AS Roma - UEFA Champions League

 

Manchester City x As Roma foi um jogo normal para os padrões do clube nos últimos anos – sempre tendo dificuldades na Champions League.

Mas o que chamou a atenção foi as muitas cadeiras vazias no estádio, que até foram motivo para o Rio Ferdinand questionar no Twitter o porque do City em expandir o Etihad Stadium, e o Paul Scholes criticar a atmosfera do estádio.

O público ontem no Etihad foi de 37.509 pessoas, e o estádio tem capacidade para 48 mil. A média do clube na Champions League é de 43.551 pessoas, e na Premier League de 47.080.

Diferente do Brasil, no futebol inglês estádios que não lotam são motivos de vergonha. A imprensa e torcida adversária não deixam barato quando isso acontece. A partida do City contra o Chelsea numa segunda-feira na temporada passada teve uma matéria num jornal, ele circulou 16 cadeiras vazias no Etihad, isso mesmo, fizeram um artigo para mostrar que 16 cadeiras não estavam ocupadas.

Ontem, os torcedores ainda podiam comprar ingressos para a partida contra a AS Roma na bilheteria do estádio – algo incomum aqui. A partida contra o Tottenham que acontece daqui a 3 semanas pela Premier League já tem todos os ingressos vendidos.

Mas porque isso acontece? Porque o maior público de torcedores na Premier League do que na Champions League? Vou tentar explicar isso em alguns tópicos.

 

Preço dos ingressos

O City como todo clube inglês trabalha com o seasoncards(carnês), que dão direito ao torcedores a assistir 19 jogos em casa pela Premier League. Mas esses carnês não dão direito aos jogos de Champions League, FA Cup e Capital One Cup, esses ingressos precisão ser comprados a parte.

O carnê mais barato do City custa £299 libras, só por exemplo, o Bayern cobra apenas £104 por temporada.

No United os detentores dos carnes são “obrigados” a comprar os ingressos para os jogos da Champions, se não o fazem, perdem o direito de assistir o próximo jogo em casa pela Premier League.

O City não trabalha com esse sistema, e vejo muitos torcedores reclamando que não tem condições de irem ao estádio sempre. O preço para a Champions não é “caro” em relação a Premier, custa entre £35 e £40 libras para o torneio europeu, e £55 para o campeonato inglês.

Acontece que, o torcedor já tirou um valor do seu orçamento para comprar o carnê, e agora tem que tirar outro valor para ir assistir a Champions, FA Cup e Capital One Cup, e não são todos que tem condições financeiras para isso.

Ir a uma partida de futebol não é apenas o gasto com o ingresso, mas tem toda uma logística e valores que atrapalham a ida do torcedor. Vi uma pesquisa que, um torcedor junto com preço do ingresso gasta em média £100-£120 para ir a uma partida de futebol. Agora imagina assistir  2/3 jogos por semana, e se tiver família o que é muito comum, a situação piora e muito. Então isso afasta e muito o público dos jogos que não fazem parte do carnê.

 

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Falta de interesse na Champions League

Já conversei com vários torcedores do City, e de outros clubes também, e o que eu sempre vejo entre eles é a visão que a Champions League é a apenas a cereja do bolo, o complemento.

Existe o patriotismo, o nacionalismo, a paixão por aquilo que vem de dentro do solo inglês. Os ingleses amam o Campeonato Inglês, é algo tradicional, é onde você joga 38 rodadas e no final é campeão tendo deixado para trás o seu vizinho, o seu maior rival. Para eles não adianta nada ser campeão europeu se não consegue ter hegemonia dentro da sua própria casa. E esse sentimento tem um grande peso nos torcedores do City.

Eles ainda não abraçaram a Champions League, ainda não tem interesse pela competição. E isso já aconteceu com outros clubes também nas suas primeiras aventuras na competição.

A monotonia da Champions League

Desde o sorteio da Champions li, ouvi e vi vários artigos de jornalistas criticando que a o torneio da UEFA está se tornando chato pela forma que são escolhidos os cabeças de chave.

Pelo terceiro ano o City enfrenta o Bayern, e pelo segundo o CSKA. Isso vai tirando a graça da competição, porque todos os anos se enfrenta os mesmos clubes. Existe a questão também que a Champions como a Copa do Mundo só começa a de tornar interessante a partir do mata-mata.

Vejo também vários torcedores reclamando que não aguentam os árbitros no torneio, que não são como no futebol inglês que deixam o jogo correr, que marcam falta por qualquer toque no adversário.

 

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A proibição de venda de bebidas alcoólicas nos estádios na Champions

Os ingleses amam uma cerveja, bebem antes, durante e depois dos jogos. E não é pouca cerveja, é muita mesmo. Na Champions League é proibido a venda de bebidas alcoólicas dentro do estádio, outro motivo para os torcedores não acharem a competição atraente.

Então você soma todos esses fatores citados ai em cima, mais o jogo ser numa terça-feria a noite, com um tráfico horrível e ainda sendo transmitido na TV, chegará ao resultado final o porque do estádio vazio.

E isso leva a outro ponto, porque com muitos torcedores não indo ao jogos, os seus lugares são ocupados por torcedores de ocasião e turistas. Pessoas que vão ao estádio com ipads e câmeras, que estão ali apenas por status ou pela experiência de assistir um evento esportivo, e não empurrar a equipe.

A FA Cup é uma competição com preços populares, e a média de torcedores recentemente foi de 46. 514 vs Watford, 46,824 vs Wigan, 46,728 vs Barnsley, 46,849 vs Leeds. São adversários de menos expressão que a Roma, mas que tiveram um público maior por causa do preço baixo dos ingressos.

Nesses jogos os torcedores que estão afastados por causa da elitização do futebol inglês estão presentes. Você vê menos turistas, menos ipads e uma atmosfera muito melhor.

Por causa do FFP o City não tem condições de abaixar o preço dos ingressos na Champions League porque precisa fazer caixa, mas se contra o CSKA se isso não acontecer, se tiver 25 mil pessoas no Etihad será um milagre.

Acredito que o Ferdinand e Scholes tocaram num assunto sem o total conhecimento do que realmente está acontecendo, eles nunca tiveram tirar dinheiro do próprio bolso para comprar um ingresso para uma partida de futebol.

Sobre João Hugo

Em 29 de dezembro de 2007, fundei o Man City Brazil com o Leonardo e o Fernando. Em 23 de fevereiro de 2017, 10 anos depois, nos tornamos a 1º torcida oficial do Manchester City na América Latina: The Citizens Brasil. O resto é estória pra boi dormir...

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Um comentário

  1. Muito bom o seu artigo, explicou com propriedade.

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