sexta-feira , 15 dezembro 2017
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E o vilão venceu…

 
É românticos, lamento lhes dizer, mas nós compramos mais um título da Premier League. Graças ao Sheikh Mansour, o Manchester City ousou ganhar seu segundo campeonato em três temporadas, algo impensável há poucos anos atrás. Agora, podem lamentar-se, chorar e dizer que o Liverpool é o campeão moral, que merecia, entre outras baboseiras. Somos sujos, mas temos títulos…
Foi uma Premier League louca, muito disputada, com inúmeras trocas de liderança e uma disputa ferrenha até o final. Um êxtase de competitividade que deixou todos em extrema adrenalina. Em um momento o Arsenal, com um bom futebol e campanha inicialmente muito consistente, pareceu que ia até o final e poderia encerrar sua desgastante fila sem títulos; depois veio o Chelsea de Mourinho, que graças a seus reforços e técnico tarimbado parecia o mais preparado para ser campeão nos prognósticos de pré-temporada; também o Liverpool, que fez uma campanha acima do que seu elenco prometia, apresentou um ótimo futebol e um ataque avassalador, por boa parte da temporada parecia morto na briga pelo primeiro lugar, mas de repente despertou e encantou, esteve bem perto de ganhar após longos 24 anos; Por fim, teve o United, que… ah, não, o United não…
O Arsenal foi o cavalo paraguaio habitual dos últimos anos. O Chelsea perdeu jogos bobos e não conseguiu dividir as disputas na Premier e Champions com eficácia. E o Liverpool junto com o Gerrard tropeçaram em um clássico contra um adversário reserva, sucumbindo também a arrogância, a frescura e ao já ganhou. O City começou um campeonato arrasando e encantando, com um ataque avassalador, poderia levar fácil, mas as atuações caíram, perdeu clássicos importantes para o Chelsea (em casa) e Liverpool, então parecia que não ia dar. Aí ganhou um presente e foi com tudo em busca do sonho, venceu batalhas difíceis e cruciais, sempre acreditando, mas nunca cantando vitória.
Sim, existiu um dia que foi crucial para tudo: 27 de abril. Naquele domingo eu entrei com um pensamento dominante em minha cabeça: “hoje o Liverpool tem 99% de chances de ser campeão”. Era óbvio, eles tinham grandes chances de sair dali com o título praticamente assegurado, só não aconteceria com uma improvável combinação de resultados. Os Reds vinham embaladíssimos, com espírito de campeão e jogariam em casa contra um Chelsea reserva, totalmente focado na semifinal da Champions. O City, por outro lado, iria pegar um Crystal Palace casca grossa vindo de cinco vitórias seguidas em sua casa, um caldeirão em que o time já tinha arrancado pontos de times com muito mais grife, e estava sem o mago David Silva. Não adiantava, mesmo que um tropeçasse o outro também o faria, e tudo ficaria na mesma…
Mas aí Mourinho estacionou um ônibus a frente do seu gol, que não deixou passar nada. Gerrard escorregou, eles partiram para o desespero e tomaram mais um, o primeiro passo estava feito. Me animei um pouco: “nós ganhamos um presente, não podemos desperdiçá-lo de nenhuma forma, nem que seja meio a zero!”. Naquele dia Yaya Touré, o melhor meio campo do mundo, que só não é reconhecido pela FIFA por ter menos grife que Xavi e Iniesta, decidiu mais uma vez para o time: o gigante acordava para não dar chance a ninguém mais.
Em seguida, com muita catimba e cojones, conseguimos superar uma partida duríssima contra o Everton, em que o mundo jogava contra nós. Parecia então certo que a última rodada seria um nervoso deja vu de 2011/12. Dois times empatados em pontos que decidiriam no saldo, novamente com os Sky Blues em vantagem no quesito. Será que viria um novo sofrimento épico? Mas aí, o time vermelho tratou de facilitar mais uma vez, não conseguindo o que tínhamos feito: em um jogo louco onde fizeram 3 x 0 e deu até medo de conseguirem tirar a diferença do saldo, tomaram o empate da guerreira equipe de Tony Pullis. Dois dias depois superamos o trauma dos jogos atrasados (anteriormente havíamos quase perdido para o Sunderland, tirando o título das nossas mãos) goleando o Aston Villa numa partida que foi mais difícil do que o placar indicou.
Então, chegamos neste domingo. Objetivamente, a diferença para 2011/12 é que dependíamos apenas de um empate, há não ser que o Liverpool aplicasse uma goleada totalmente irreal no Newcastle, e não mais da vitória, mas subjetivamente a situação era 100% diferente. Há dois anos atrás mais ou menos todo mundo (excetuando os diabos) torcia, mesmo que muito dentro de si, por nosso título. Naquela época nosso dinheiro era bom, ajudaria a quebrar uma seqüência do United, colocaria mais competitividade a competição, etc. ali éramos nós que tínhamos uma fila desgraçada contra, éramos os patinhos feios, os chacoteados. Para agora o clima mudou 360 graus, viramos os vilões do mundo, a morte do futebol, o fruto da lavagem de dinheiro ou de um dono que quer apenas divertir-se. Nosso título era vitória do mal, resumindo tudo.
O Liverpool, por outro lado, angariou a torcida de meio mundo. Nem os inteligentes jornalistas, muitas vezes tão batalhadores pela imparcialidade, conseguiram esconder a preferência, e as transmissões de jogos transformaram-se em um inferno de chatice e romantismo, foi muito duro agüentar as rodadas finais. Os Reds viraram, de uma hora para outra, time diferenciado, parecia que não tinham dono ou montaram o seu time por meio de escambo, sem gastar dinheiro nenhum. A torcida era o símbolo do sofrimento e a melhor do mundo, e Gerrard, bem, quase um santo…
Eu nunca odiei a equipe adversária, me solidarizo com o sofrimento dos torcedores, não ignoro sua grandeza e entendi a maioria dos argumentos de quem torceu por eles. Mas, diante desta aura de santificação forçada, e principalmente de vilanização do City, com uma torcida otimista demais diante de tão profunda fila, onde muitos ressuscitaram das tumbas para, sem sentido, se acharem nas redes sociais, e um técnico boca solta, este título virou praticamente uma questão de honra. Precisávamos quebrar esta corrente, se o Liverpool vencesse seria capaz de aparecerem veadinhos saltitantes e beija-flores em Anfield, tamanho clima de conto-de-fadas criado, e a televisão tornar-se-ia insuportável.
Se ser um citizen já implica em pessimismo, diante de tão profundo nevoeiro negativo em nossa direção, não tinha como esconder o medo de que alguma série improvável de acontecimentos místicos dessem ao Liverpool a vitória épica que precisavam para se confirmarem como diferentes. Só tive plena certeza quando o relógio bateu 92 minutos de jogo (sério), porque aí eu sabia que os Hammers não fariam três gols em dois minutos, era fisicamente impossível… O jogo contra o West Ham passou longe da dramaticidade de dois anos atrás, mas nem por isso, e para não contrariar a história e o Typical City não foi algo fácil demais, não veio à goleada que muitos poderiam pensar.
O City foi campeão com menos dias na liderança que Arsenal, Chelsea e Liverpool (muito por culpa dos malditos jogos atrasados que não nos largavam), mas no dia que interessava, 11 de maio de 2014, estávamos lá. Os Reds tiveram azar, pois o confronto era com uma equipe em que a mística de sofrimento e superação das adversidades era muito maior que a deles, por mais que muitos esqueçam. Que eles esperem mais 1 ano, ou 20. Nós esperamos 44, porque eles não podem?
 
Júnior Martins
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Sobre João Hugo

Em 29 de dezembro de 2007, fundei o Man City Brazil com o Leonardo e o Fernando. Em 23 de fevereiro de 2017, 10 anos depois, nos tornamos a 1º torcida oficial do Manchester City na América Latina: The Citizens Brasil. O resto é estória pra boi dormir...

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  1. Igor Gadelha

    teste

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