sábado , 16 dezembro 2017
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Enquanto voce assiste a Premier, um jogo sujo está correndo nos bastidores.

A conquista da Premier League pelo City não foi bem digerida pelo United, depois de alguns meses do nosso título o clube tentar implatar dentro da Premier um Financial Fair Play para regulamentar os gastos dos clubes.

O United alega que está pensando no bem dos clubes, pois não deseja ver equipes falidas, mas durante todos esses anos o clube nunca pensou assim, sempre gastou rios e rios de dinheiro, e agora que o City apareceu, e eles perceberam que não podem competir, resolveram tomar essa medida. Na verdade estão pensando apenas em si próprios.

Enquanto vocês assistem a Premier League em casa, ouvindo notícias que vem de tablóides, coisas que não tem nenhum interesse, algo grande está ocorrendo nos bastidores.

Clubes estão formando um cartel, trabalhando as escondidas para acabar com os investimentos estrangeiros, para que não haja mais um Roman Abramovich ou Sheikh Mansour.

O grande Martin Samuel, um dos melhores jornalistas da Inglaterra, ontem postou uma matéria no Daily Mail expondo o jogo sujo desses clubes. Vou transcrever um pouco da matéria aqui para vocês.

Fair Play. Para a gangue de 4 times da Premier, significa a proibição de sonhadores como o Jack Walker.*

Tudo o que você precisa saber sobre a última proposta do Financial Fair Play na Premier League é que, se as regras fossem aprovadas, a aquisição catastrófica da Venky´s sobre o Blackburn Rovers ainda seria permitida. Mas a conquista do campeonato do Jack Walker pela mesma equipe não aconteceria. 

Sim, ele poderia ter comprado o clube da mesma forma, mas não seria autorizado a fazer muito pelo clube. Ele não teria sido capaz de investir em um nível que poderia trazer um sucesso rápido, ele não teria sido capaz de desafiar a elite estabelicida de uma forma eficaz.

Portanto, sem Alan Shearer, sem Sutton Chris, provavelmente sem Kenny Dalglish, e quer saber o principal? Sem nenhum título da Premier. O United teria ganho o campeonato em 1995, como fizeram em 1993, 1994, 1996 e 1997, e a maior conquista da era moderna não teria acontecido.

Walker ainda poderia ter comprado o Blackburn Rovers, o clube que ela amava, mas apenas para gerenciar sua mediocridade, talvez com melhorias incrementais a cada ano. A revolução, o grande salto para frente, o sonho te todo o torcedor em qualquer canto da terra, teria sido frustado pelo suposto Fair Play.

Enquanto isso, a proposta da Venky´s em comprar o clube teria passado. Não há restrições para aqueles que desejam comprar um clube e estragar tudo. Vender o seu melhor jogador, não investir, trazer uma quadrilha de palhaços para executar o programa, e obter o rebaixamento. Os clubes da elite estão mais do que felizes se os novos donos com dinheiro façam isso.

É do Walker, ou de pessoas como ele, que o clubes da elite estão com medo. Eles temem a concorrência. Para o Manchester está tudo bem se o Blackburn deseja vender o Phil Jones para eles, o que eles não gostam é ver Alan Shearer ou Carlos Tevez serem tomados por outros clubes.

Na terça feira, 18 de dezembro, quando todos os Chairmen dos clubes da Premier League se reuniram para discutir as mais recentes propostas para o Financial Fair Play, quatro clubes da elite tentaram um golpe de estado. Até aquele momento, o consenso geral era que a regulamentação foi necessária para evitar que acontecesse outro caso como o do Portsmouth, mas outro Manchester City, parecia estar tudo bem.

Existe uma diferença entre o dono investir seu dinheiro no clube, e o dono emprestar dinheiro para o clube. Não pode haver o caos que aconteceu no Portsmouth, mas isso pode ser alcançado sem restrições de novos fundos que entram no futebol inglês, para tornar o campeonato mais competitivo.

Mas ai, o jogo mudou.

Em papel timbrado do Arsenal, uma carta foi entregue, assinado por quatro clubes-United, Arsenal, Liverpool e Tottenham-indicando que as propostas existentes do FFP não vão longe o suficiente, e que maiores limitações deveriam ser colocados sobre o dinheiro investido pelo dono.

David Gil, chefe executivo do United, se levantou para falar. Ele questionou porque a Premier League tem que servir as necessidades dos oligarcas ricos ou Sheiks do petróleo. Que o Manchester United estavam focados na saúde da competição, e que eles deveriam ir para uma nova etapa. Que a Premier deveria considerar a implementação do Financial Fair Play da UEFA ao pé da letra, e se precisar pegar a UEFA para regular e garantir a sua aplicação estrita.

O resto dos clubes estão pensando nessa proposta antes da próxima reunião. Alguns podem ser até estúpidos o suficiente para considera-la seriamente.

Papel timbrado do Arsenal, conseguido pelo Daily Mail.



Efetivamente, o que o David Gill quer para um homem como Bill Kenwright, chaiman do Everton e empresário teatral, para verificar transações de seus negócios com Jean-Luc Dehaene, ex-presidente do banco que ainda pode fazer para a economia européia o que o Lehman Brothers fez para a estabilidade fiscal dos Estados Unidos.

Dehaene é a figura do Michel Platini, presidente da UEFA, que fez dele o investigador chefe da Câmara de Investigação do Corpo de Controle Financeiro dos Clubes, e portanto, presume-se, seria o homem que Gill deseja que tome conta das finanças do clubes da Premier também.

Dehaene certamente tem mais tempo para se concentrar no projeto, depois de ter renunciado como presidente do Dexia Bank em 1 de julho de 2012. Você deve se lembrar que ele deveria ter dado uma palestra em uma conferência de líderes do futebol em Londres em 2011. Mas ele não pode dar sua palavra porque seu banco entrou no negativo, precisando de um empréstimo de £3.45 bilhões de libras do governo belga. Além dos £5.18 bilhões que ele já tinha pego em 2008 quando ele assumiu o banco.

Dexia Holdings, confirmou uma perda de £9.73 bilhões de libras em 2011, e posteriormente foi envolvido num escândalo após a revelação que, entre 2006 e 2008, Dexia Bank Bélgica havia emprestado £1.3 bilhões a dois dos seus maiores acionistas instituicionais, a comprar ações de outras empresas, e com isso manter suas ações a tona.

Esse é o homem que o David Gill colocaria no comando do policiamento financeiro no futebol inglês. 

Então, qual o interesse em comum entre Dehaene o United e seus amigo? Dinheiro é claro.

Clubes como United e Arsenal, que tem os maiores estádios e fluxos de receitas de TV, sempre terão uma porcentagem maior no volume dos negócios, e com isso terão sempre um limite há mais para gastar que os outros clubes, e portanto, maiores chances de sucesso.

 É por isso que investimentos como o do Chelsea e City os aterrorizam. Esqueça esse disparate que estão pensando na saúde da Premier League. Se eles querem realmente isso, a elite estaria defendendo algumas iniciativas de redistribuição de riqueza que existem no esporte americano.

Os lucros de uma camisa do United que são vendidos além de sua área de influência,(o oeste do país por exemplo) teriam que ser divididos entre os 20 clubes da Premier League, como acontece com a mercadorias que o New York Yankees vendem fora da loja do clube, ou da área metropolitana de New York.

Isso não vai acontecer aqui, não é?

E David Gill não vai dar muitos discursos a favor para que isso aconteça.

Trata-se de exclusão, e não de justiça, e a elite estabelecida não gostam da idéia de outro Sheikh Mansour venha para a Premier. Eles não gostam que o Romam Abramovich compre os melhores jogadores também.

Até agora, apenas Chelsea, Manchester City, Fulham, West Bromwich e Aston Villa são contra, e 14 votos são necessários para alterar o livro de regras.

Uma vez guarantido, esqueça o sonho do Jack Walker. Todos os novos proprietários serão capazes de apenas manter seu clube no lugar onde estão.

Quanto ao David Gill, com seu plano de entregar o futebol inglês nas mão da UEFA, coincide um pouco perfeitamente com sua campanha para ser eleito para o Comitê Executivo da UEFA, no próximo congresso em maio. Podemos chamar disso como seu dote.

Ivan Gazidis, o homem que cuja visão ajudou a tornar o Arsenal o clube que é hoje, é outro com sérias ambições políticas.

Ele já elaborou seu caminho para o conselho executivo da Associação Européia de clubes, como seu representante no Conselho da UEFA estratégica e profissional, bem como manter uma posição no Painel ECA de Assessoria Júridica.

Além disso, ele está no conselho de Jogo Profissional da FA, Conselho FA, Câmara de Resolução de Disputas da FIFA e do grupo de trabalho da Premier League para o desempenho do jogador de Elite. Gazidis é um garoto muito ocupado, considerando que ele se juntou como chefe-executivo do Arsenal apenas em 2009. Um cínico poderia pensar que ele tinha uma agenda, ou um plano.

Um plano melhor do que vender seu melhor jogador para o United e aumentar os preços do ingressos no Arsenal. Não é de se admirar que Gazidis quer que seus rivais na Premier League sejam vinculados na burocracia financeira. Qual a outra foma do Arsenal voltar a ser competitivo?

Tem sido uma semana esclarecedora no Arsenal com a admissão de que o técnico Arsene Wenger sabia que se vende-se o Robin Van Persie para o United estaria levando o título para o Old Trafford, a prova mais necessária de que ele já não considera o Arsenal como candidato ao título.

“É doloroso ver o United na nossa frente.” disse Wenger. “Você sabe que se vender o Van Persie para o United isso vai acontecer.”

No entanto, se Wenger pensou que o Arsenal poderia vencer o campeoanato, certamente ele não teria aceitado a transferência que tirou todas as suas esperanças.

Só se pode pressumir a partir de sua análise, portanto, que ele não vê o United como rivais, mesmo antes da temporada começar. Depois disso seguiu a justificação do Wenger para os preços exorbitantes dos ingressos, o que custou o Manchester City a devolver mais de 900 ingressos, depois que os fãs reclamaram do valor de 62 libras.

“A única maneira de pagar os salários e competir sem qualquer ajuda externa é através dos preços dos ingressos.” Wenger insistiu.

E não diga que não foi avisado. Os torcedores que vão sofrer com os efeitos colaterais do Financial Fair Play. Há uma taxa que vai para os salários do jogador, e ela não pode cair sem disparar cláusulas contratuais livres. Então se os proprietários não seguirem as regras isso vai dete-los de pagar a conta, quem você acha que irá pagar no final?

Não é o Stan Kroenke, e nem o Ivan Gazidis também. Sua grande idéia envolve entregar o título para o United, desnatar os lucros enquanto tentar negociar o Chelsea e Manchester City fora da disputa com a política, advogados e sorrateiras reuniões com portas fechadas.

Liverpool e Tottenham estão claramente lutando para devorar as migalhas escassas de Arsenal e United na tabela, mas porque os outros clubes são favoráveis. Quem sabe?

West Ham poderá em breve se mudar para o Estádio Olímpico, uma verdadeira oportunidade de expansão do clube.

Porque eles vão votar para limitar suas possibilidades, simplesmente para garantir os sucesso de alguns time da elite?  Porque qualquer clube com potencial do Aston Villa, Sunderland ou Southampton se sujeitaria a isso?

O Arsenal sempre se destacou por ser um clube de província tradição. O Arsenal tinha classe.

Arsenal nunca foi rebaixado. O clube sempre teve um lugar e destaque no futebol, quando seu chairman falava, todos escutavam.

Esta missiva, no entanto, é o trabalho de um chairman americando e ausente, e um executivo cujo grande plano seria entregar o título para o United a cada ano.

Praticamente o artigo do Martin Samuel mostra que existe um jogo sujo dentro da Premier League, clubes como United e Arsenal que sempre foram da elite não aceitam que novos clubes apareçam e façam a competição mais competitiva. Eles querem sim, sempre ficar no topo.

Do jeito que as coisas andam no momento, daqui uns anos a Premier League será como a Liga Espanhola, uma campeonato de apenas 2 times, e tudo isso por medo e inveja de alguns clubes.

Parte do post foi retirada do Daily Mail, matéria assinada pelo excelente Martin Samuel.

*Jack Walker assumiu o controle do Blackburn em 1991, e investiu muito dinheiro no clube, conseguindo assim ser campeão em 1995, e com isso acabando com hegemonia do United.

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Sobre João Hugo

Em 29 de dezembro de 2007, fundei o Man City Brazil com o Leonardo e o Fernando. Em 23 de fevereiro de 2017, 10 anos depois, nos tornamos a 1º torcida oficial do Manchester City na América Latina: The Citizens Brasil. O resto é estória pra boi dormir...

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