segunda-feira , 25 setembro 2017
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Histórias de um clube sem história – City revolucionando a tática inglesa

 

 Bert Traumann e Don Revie com a FA Cup em 1956
Bert Traumann e Don Revie com a FA Cup em 1956

 

Sabe o Puskas?  Bom, O Puskas era um grande jogador de futebol, húngaro, que foi até a final da Copa do Mundo de 1954. Aquela seleção húngara deu uma balançada no futebol mundial, pelos excelentes jogadores e pela inovação de seu sistema de jogo. Em um resumo tosco, eles mudaram o conhecido esquema ‘WM’ para um ‘MM’, abrindo os wingers e recuando o centroavante para o meio, puxando e abrindo marcação, causando surpresa aos defensores adversários. Mas enfim, a Hungria enfrentou a Alemanha na final, e, bom, era a Alemanha, e daí se deu mal.

O fato é que Les McDowall, então técnico do Manchester City, decidiu na temporada 1953-54 aplicar este sistema húngaro no time reserva do City, aplicando, depois do sucesso neste time reserva, o mesmo sistema no time principal, na temporada 1954-1955. Mexe daqui e dali, McDowall achou o CARA para ser o centro do time, naquele movimento de ataque antes dito, de formação de ataque em “M”. Este cara era Don Revie.

E daí que o Manchester City conseguiu, na metade dos anos 50, apresentar ao ortodoxo futebol inglês uma revolução tática, ajudando a moldar o futebol que se jogaria na segunda metade do século 20.

Com aplicação do sistema que tinha como base o movimento de todo o time, e, também, o talento de jogadores como Revie no meio de campo ofensivo e ataque, o sistema do City passou a ser conhecido por toda a Inglaterra como “Revie Plan” (“o plano Revie”), um esquema tático que deixava confusos os adversários, e dava ao City grande admiração e destaque na mídia nacional, ao lado, claro, dos “Busby Babes” do United, sensação da época (os quais muitos, tragicamente, morreriam no acidente aéreo de Munique, 4 anos mais tarde).

United, aliás, que expressamente ignorou o ‘Revie Plan’, alegando que o time deles era bom demais para se preocupar com qualquer tipo de plano tático.

O resultado: United levou 10 gols do Manchester City em 1954, em três jogos, com 3 derrotas, incluindo uma de 5 a 0.

Bom, o fato é que City neste ano deu uma sacudida no padrão tático do futebol do país, encantou a todos com a estratégia do ‘Revie Plan’ (Don Revie ganhou o “Football Writers footballer of the year” daquele ano), e fez boa campanha, especialmente na FA Cup, chegando à final em Wembley, contra o Newcastle.

Na final, infelizmente, o City sofreu com diversos problemas de lesões de jogadores fundamentais em seu esquema de jogo, como já tinha acontecido em todo o primeiro semestre de 1955, e acabou caindo diante do Newcastle. Nesta final City ficou, em razão de baixa por lesão, com um homem a menos desde os 18 do primeiro tempo (as regras eram diferentes, não existiam substituições até 1970) e o ‘Revie Plan’ não obteve sucesso.

Mas, como ocorrido em 1933, quando Sam Cowan prometera que o Manchester City, após a derrota para o Everton na final, voltaria a Wembley para vencer a Fa Cup (o que realmente ocorreu em 1934), o capitão de 1955, Roy Paul, prometeu ao grupo de jogadores que o City voltaria a Wembley no próximo ano.

E, de fato, o Manchester City voltou em 1956.

Na temporada 1955-1956 City continuou com sua com sua campanha positiva, mais uma vez chamando atenção pelo seu futebol ‘revolucionário’, e, em especial, por sua campanha na FA Cup. E, desta vez, sem tantas lesões, City venceu o Birmingham City por 3 -1 e se consagrou campeão da FA Cup.

Nesta temporada o ‘Revie Plan’ também funcionou, ainda que muitas vezes sem o próprio Don Revie, que perdera espaço no grupo. Mas esse mesmo Don Revie, na final de contra o Birmigham, jogou como titular e brilhou, sendo importantíssimo na conquista do City.

Válido lembrar que foi nesta temporada e nesta final de 1956 que também brilhou o goleiro do Manchester City, Bert Trautmann, alemão, ex-combatente nazista, e que vocês provavelmente já leram ou ouviram a respeito. Ele ganhou o ‘Football Writers footballer of the year’ daquele ano, e foi o grande destaque do Manchester City na final contra o Birmingham City (quando ‘quebrou’ o pescoço), se tornando uma lenda no clube.

Ah, para acabar: sim, esse Don Revie é aquele que, como técnico, foi bem sucedido no Leeds United, e que, a partir e devido sua saída (para assumir a seleção inglesa), Brian Clough tomou seu lugar no Leeds e acabou sofrendo um “motim” pelos próprios jogadores do Leeds, história contada no livro (e filme) “The Damned Utd” (Maldito Futebol Clube).

Fontes:

-Artigo do Guardian (http://www.theguardian.com/football/blog/2011/may/13/manchester-city-don-revie?CMP=twt_gu) e livro ‘Manchester The City Years’, de Gary James.

 

Sobre João Hugo

Em 29 de dezembro de 2007, fundei o Man City Brazil com o Leonardo e o Fernando. Em 23 de fevereiro de 2017, 10 anos depois, nos tornamos a 1º torcida oficial do Manchester City na América Latina: The Citizens Brasil. O resto é estória pra boi dormir...

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