quinta-feira , 30 março 2017
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Hora de jogar como time pequeno

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Na próxima terça-feira o City terá que encarar a dura missão de enfrentar o embalado Barcelona pela chance de continuar o sonho da inédita Champions League. Depois de disputar três temporadas para conseguir passar da fase de grupos, a equipe tenta desta vez superar as oitavas de finais, contra o mesmo adversário que os mandou para casa no ano passado, e assim conseguir sua melhor campanha na história da competição.

Como se não bastasse tudo que a charmosa competição de clubes representa por si só, para o City, fora a Premier, em que está em segundo lugar sete pontos atrás do Chelsea, esta é a última chance de título na temporada, uma vez que já foi eliminado da Capital One e FA Cup.

Os mais exaltados podem dizer que a equipe até joga pela honra e a dignidade, uma vez que nas três edições disputadas anteriormente acabou saindo mais cedo do que a capacidade da equipe prometia mostrar, e isto aconteceria novamente com uma eliminação nas oitavas de final, mesmo que o adversário seja o Barcelona.

A verdade é que se o City tem de reclamar de uma coisa em termos de Champions é em relação à sorte, e não é chororô meu. Em quatro edições, pelo menos três vezes tivemos um grupo difícil, inclusive nesta, também em três vezes tivemos que enfrentar o Bayern de Munique, e em uma o Real Madrid. O clube é bastante prejudicado por causa dos critérios da UEFA para divisão no sorteio, baseados no ranking da mesma segundo o coeficiente, este relacionado às participações nos campeonatos continentais, um claro ponto em que nos ferramos, o que faz com que nunca tenhamos passado perto de sermos cabeças de chave.

A notícia boa, e que poderá fazer o clube respirar, é que estes critérios serão mudados a partir de 2015/16, onde os cabeças de chave serão sempre os campeões dos sete melhores campeonatos do ranking UEFA. Claro, não é garantia de grupos mais fáceis no futuro, dependerá da conjuntura, do nosso desempenho na Premier, e, claro, da sorte também.

Enquanto a próxima temporada não chega, temos que nos contentar com o que há. A verdade é que, da forma como foi a fase de grupos, estar nessas oitavas com pelo menos a esperança de ir mais longe já é uma grande vitória. Não que precisasse ser assim, uma classificação com contornos épicos, mas infelizmente passamos heroicamente na última rodada, com um time arrasado por lesões e suspensões, sem os principais jogadores, bem ao estilo Manchester City de ser. Passamos com míseros oito pontos, duas vitórias, dois empates e duas derrotas. Em 2011 acabamos eliminados com 10, coisas do destino…

Tudo parecia ir para as cucunhas quando fizemos a façanha de perder em casa para o CSKA, e com Yaya Touré sendo expulso na partida, necessitando de duas vitórias nas duas últimas rodadas, contra apenas o Bayern, em casa, e a Roma, fora. Para piorar estávamos perdendo pelo mesmo placar para o Bayern até os 40 minutos do segundo tempo. Graças a Aguero, que achou dois gols em seis minutos, levamos o sufoco e a esperança para a última rodada. Contra a Roma, o time estava sem Yaya, Silva e Aguero, simplesmente, e conquistou um triunfo na raça, jogando como se não houvesse mais amanhã, aliás, uma terceira eliminação na primeira fase talvez significasse a ausência do amanhã para muita gente…

Enfim, aqui chegamos, e como a sorte não é o nosso forte, as oitavas de final são realizadas em fevereiro. Explico, quem acompanhou as últimas temporadas sabe que estamos na época do ano em que o City sempre tem uma queda nos seus resultados, foi assim até nas temporadas dos títulos da Premier, e ninguém sabe o porque. Se essas partidas fossem em dezembro seria ótimo, pois é um momento em que o time geralmente está embalado, na sua melhor forma, com ótimas seqüências, mas aí vêm à maratona de janeiro, às vezes a perda de Yaya para a Copa das Nações Africanas, lesões de jogadores importantes…

Para exemplificar, mostro os jogos acontecidos no período das oitavas de final em 2013/14, as partidas realizadas em 2015, que precedem este confronto, e, para complementar, o desempenho do Barcelona no mesmo período:

Sem título

Não é preciso serexpert para tirar as conclusões quetenho. No período do ano passado, incluídas as partidas contra o Barça, tivemos um desempenho de três vitórias, um empate e quatro derrotas. Até conseguimos ganhar a Capital One Cup, mas acabamos eliminados na Champions e FA, isso numa mesma semana. E o pior é ver que vínhamos de uma grande série anteriormente, em que encantamos com um ataque avassalador. A seqüência mostrada quase custou o título da Premier…

Esta temporada o desempenho é um pouco melhor, mas nada de encher os olhos, com três vitórias, três empates e duas derrotas, e a eliminação da FA Cup em derrota no Etihad para o Middlesbrough. Enquanto isto, tremam, o desempenho do Barcelona em suas últimas oito partidas foi de simplesmente 100%, venceu todas, com acachapantes goleadas sobre Elche (duas vezes), Deportivo, Athletic e Levante, esta no último final de semana. São vice-líderes da Liga Espanhola, mas com apenas um ponto de diferença para o Real, e estão nas semifinais da Copa do Rei.

O que mais dói no coração é que em dezembro, quando vivíamos a nossa melhor fase, eles estavam em uma tremenda crise que quase custou à cabeça do técnico Luis Enrique. Não eram só os resultados que faltavam, ou estrelas que não brilhavam, o vestiário vivia uma guerra entre jogadores e técnico. Um clima perfeito, mas para os adversários… Agora não, você pode até questionar a qualidade de algumas das equipes que o Barça venceu, mas é fato que a roupa suja parece ter sido lavada, e estão jogando por música, com o trio Neymar, Messi e Suarez atuando como um grande tufão que não deixa nem a poeira para trás…

As más notícias não param por aí. Precisamos acima de tudo de um bom resultado em casa para sonhar, e não é só nos mantermos vivos, é ir para lá podendo estacionar um Mourinho Bus dos bons para ver o que acontece e aproveitar as migalhas que sobrarem. Ou seja, vencer ou vencer! Mas como pedir isso para uma equipe que já perdeu 12 pontos em casa na Premier League, e outros cinco na primeira fase da UCL, e ainda sem poder contar com Yaya Touré? Difícil, as instabilidades no Etihad estão sendo determinantes para os fracassos ou quase fracassos da temporada, logo nossa antes tão confiável fortaleza, que viu grandes invencibilidades da equipe… Este é o principal carma, que certamente vem corroendo os miolos de Pellegrini nos últimos tempos…

Nas oitavas da última temporada tomamos 2-0 e nos despedimos sem precisar nem viajar a Espanha. Só um louco para acreditar em uma reviravolta com novo resultado parecido, principalmente pelo que eles vêm jogando no momento…

Eu espero muito que Pellegrini tenha consciência de que não podemos entrar em campo com a idéia de que é igual para igual, pois este foi seu problema no último ano, e tem sido a causa de nossos resultados ruins em alguns jogos. Não há vergonha nisso, eles são superiores e favoritos, nossa chance é realizar um jogo que, primeiramente, respeite essa verdade, e tenha uma estratégia condizente com isto. É arma de time pequeno que quase nunca dá certo, mas temos uma qualidade que as equipes menores não sonham em ter. Quando o Chelsea superou o Barcelona “invencível” de Guardiola em 2012 respeitou esta lógica, e deu no que deu.

De bom para nós é ter a volta de Yaya para a segunda partida, e o reforço de Bony, dois grandes ups na equipe. Sem o marfinense conseguimos vencer nossa primeira partida pela Premier apenas na última rodada. Ainda há um possível espírito renovado devido à classificação improvável na fase anterior. Sim, às vezes o sofrimento é bom, e a equipe pode entrar com tudo para surpreender novamente. Por fim, nossos maus resultados foram interrompidos com a boa vitória sobre o Stoke na última rodada, em uma partida que costuma ser muito difícil no Britannia. Sábado temos o Newcastle no Etihad, com a possível estréia de Bony, e reestréia de Yaya, que comprovará se realmente a boa fase voltou, e como estará nosso ânimo para a decisão de terça.

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Que a arbitragem não nos atrapalhe também…

As cartas estão na mesa, resta saber quem as usará da melhor forma…

Sobre João Hugo

Em 29 de dezembro de 2007, fundei o Man City Brazil com o Leonardo e o Fernando. Em 23 de fevereiro de 2017, 10 anos depois, nos tornamos a 1º torcida oficial do Manchester City na América Latina: The Citizens Brasil. O resto é estória pra boi dormir...

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