quarta-feira , 29 março 2017
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Manchester City e sua existência antes de 2008: Retomada ao rumo

1970 to 71 team group

 

Esse será o último post sobre esse assunto. Basicamente ele não é meu, mas sim do meu amigo Luciano Pinto. Não o conheco pessoalmente, mas tenho um grande respeito pela pessoa que é. Sócio-torcedor do Grêmio, é sempre visto em pé na Arena, por não conseguir assistir os jogos sentados de tão nervoso que fica. Luciano também torce para o City, muito antes da grana, mas é um cara que sempre está lendo sobre o passado do clube, e principalmente, respeita a história dos blues e seus torcedores.

Luciano escreveu esse post em Janeiro, foi até publicado no site oficial do clube em português, e pedi permissão para poder publica-lo aqui. Saboreiem.

Importante conhecermos a história do Manchester City para tentarmos entender o clube de hoje. Apesar das mudanças trazidas pelo investimento árabe, o clube manteve suas características (para o bem e para o mal). E é preciso entender que sem 1999, por exemplo, não existiria 2012.

Também importante conhecermos a história do clube diante da pobreza de informações a respeito do City aqui no Brasil (TV, internet e jornal), que chega a ser risível em muitos casos.

Importante sabermos, por exemplo, que antes de 2008 o Manchester City já foi, sim, um grande clube da Inglaterra, vitorioso e rico (sofrendo, inclusive, sansões técnicas e financeiras por sua atuação agressiva em relação às contratações e pagamentos de salários aos jogadores, em tempos em que não tínhamos o Fair Play Financeiro rondando os clubes), e que a chegada do Sheik Mansour significou apenas uma nova etapa na vida do clube, mas não a salvação de um clube medíocre, como alguns alegam.

 

FA Cup 1959
FA Cup 1959

 

Bom, em relação à existência do City antes de 2008: No anos 60, 70 e início dos anos 80 o City fazia um bom papel em campeonatos nacionais e internacionais. Foi campeão inglês em 1968, da FA Cup em 1969 e da Copa da Liga Inglesa em 1970. Conquistou um título internacional (Recopa de 1970). Foi campeão da Supercopa da Inglaterra em 1972, foi vice da Copa da Liga Inglesa em 1974 e novamente campeão desta competição em 1976, contando ainda com um 2ª lugar da 1º divisão em 76/77, além de participações com algum destaque na Copa da Uefa no final dos anos 70, como uma vitória de 3 x 0 contra o Milan no Maine Road, em dezembro de 1978.

Neste contexto chegou em 1981 para a disputa da 100ª final de Copa da Inglaterra (ou seja, uma edição especial) contra o Tottenham. O City possuía um time bom e caro. E o mais importante: chegou para esta final como um dos cinco ou seis grandes times do país. Inclusive o fato de que dois grandes times estavam disputando aquela final especial foi comemorado pela mídia inglesa da época (a saber os grande times da época: Everton, Liverpool, Manchester Utd, City, Arsenal e Tottenham) O City jogou bem a final, foi valente, mas acabou perdendo.

Mas o fato é que tudo mudou a partir de 1982, em razão dos erros da gestão do presidente Peter Swales, que levaram o clube à quase falência, e à decadência dentro do cenário do futebol da Inglaterra (muitos torcedores do City indicam que a venda de Trevor Francis em 1982 para a Sampdoria foi momento de derrocada do City como instituição). Aliado a isso, um cenário de recessão do país nos anos 80 e o colapso da indústria de Manchester ajudaram a piorar a situação financeira do clube.

A partir daquele momento o City virou um clube “io-io” (foi rebaixado 5 vezes no período 1982 a 2001), chegando ao pior momento de sua história na temporada 1998-99, disputando a 3º divisão.

Além de mergulhar em uma grave crise, hoje percebemos que outro problema atingiu o Manchester City neste período de 1982-2008: um parcial desaparecimento da história do clube.

Em sua história de 1894 em diante o Manchester City regularmente conquistava títulos nacionais. A exceção é este período de 1982 a 2008. O azar do City é que justamente neste período tivemos o surgimento das grandes transmissões e coberturas de televisão, rádio e jornal a respeito de futebol, com mega produções e grandes investimentos para o ramo de entreterimento esportivo.

 

city

 

E neste contexto de cobertura massiva estava o Manchester City caindo pelas tabelas. Neste período, o máximo que o City conseguiu foi um vice-campeonato da Full Members Cup, na temporada 85/86, dois quintos lugares na 1º divisão, 90/91 e 91/92, além de brilharecos em Copas da Inglaterra e algumas vitórias históricas sobre o rival vermelho.

Ou seja, no período do surgimento de uma maior visibilidade do futebol inglês (nacional e internacionalmente), o Manchester City, convenhamos, era uma porcaria.

Mas sim, o City existia antes de 2008, e não como um mero clube coadjuvante que entrava em campeonatos nacionais para não ser rebaixado. É preciso entender que o período de 1982 a 2008 é um grande hiato na história do City, mas não o resume. O City não é o clube deste período. Por isso que a vinda do Sheik Mansour o ajudou para uma retomada de rumo. Mas apenas isso, não o recriou como um grande clube. E a sua história no futebol inglês assim comprova.

Outro texto interessante para complementar o que eu postei ontem.

“Nunca esqueceremos de onde viemos, mas agora estamos olhando apenas para a frente.”

“É onde nós estivemos, e para onde estamos indo…”

Sobre João Hugo

Em 29 de dezembro de 2007, fundei o Man City Brazil com o Leonardo e o Fernando. Em 23 de fevereiro de 2017, 10 anos depois, nos tornamos a 1º torcida oficial do Manchester City na América Latina: The Citizens Brasil. O resto é estória pra boi dormir...

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