terça-feira , 25 julho 2017
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Mancini ou Pellegrini, onde fomos melhores?

montagem pelle-mancio

Eu não sei quanto a vocês, mas existem pessoas que tem mania de comparação, e eu sou uma delas, mas esta mania não é permanente, vem de tempos em tempos, geralmente quando outros instigam e dão uma opinião sobre dois personagens ou períodos diferentes. Existem comparações mais tranqüilas, como por exemplo, entre a era pobre e a era rica do City, é fácil tomar conclusões sobre isto, e me faz até ficar com medo de tecer criticas severas demais nos resultados adversos, justamente pelo momento tão especial que vivemos hoje em dia, como já explicitei por aqui.

Mas a comparação recente, dentro dos últimos anos, é mais difícil e complexa. E vez outra, depois de resultados ruins como a triste derrota em casa para o Arsenal na semana passada, surge o assunto sobre as falhas que a equipe apresenta agora, mas não mostrava antes, quando estava sob outro comando. Roberto Mancini está na história do clube, e é absolutamente idolatrado pelos torcedores ingleses, e tenho plena consciência disto, pois foi o cara que fez a nova era do clube realmente acontecer, brilhar, que conquistou nossos primeiros e importantes títulos, e etc.

Mas, como cansamos de saber, não era unanimidade entre os brasileiros, longe disso, gente que o defendia, como eu, era meio que um advogado do diabo, minoria, quase defendendo o indefensável. Os momentos bons do clube eram creditados a sorte ou a competência dos jogadores, e os ruins a ele, simplesmente, que era retranqueiro e não sabia comandar a equipe, ou seja, não teve paz em um momento sequer. Eu não sou mais participativo em fóruns de torcedores para ter uma medida exata da popularidade de Pellegrini, mas tenho a impressão que as críticas ao chileno, pelo menos neste momento, são mais amenas em teor, então ele não é tão rechaçado pelo público tupiniquim.

Mas é bem verdade que Mancini não é um ser infalível, e seu grande carma foi, por exemplo, não ter conseguido passar da primeira fase da Champions League nas duas oportunidades que teve, o que Pellegrini conseguiu de primeira, embora caindo logo depois, e agora o fez novamente. A última temporada do italiano foi realmente abaixo das expectativas, onde lutávamos pelo bicampeonato da Premier, mas não fizemos sombra ao título do United, e aí temos que ver uma coisa: perdemos para um time de futebol burocrático, ao qual já acusava precisar de uma renovação, e que se sobressaia pela regularidade, jogando por música, e as vezes pela arbitragem, certamente por causa da longevidade de seu técnico, mas sem quase nenhum brilho ou nada de encher os olhos.

Se por acaso perdermos para o Chelsea, temos que levar em conta que foi uma equipe que se reforçou um bocado, tem um elenco bastante qualificado, que vem mostrando um futebol à altura dos resultados. Os londrinos já se tornaram superavitários, portanto, não tem tantas limitações do FFP, ao contrário do City, podendo se reforçar de modo satisfatório, e após a primeira temporada furada de Mourinho, foi isto que fez, melhorou ainda mais a equipe, que agora parece viver seu auge. Hoje temos que apostar mais em uma equipe titular que joga junta há mais de três anos, o que pode ser uma vantagem, mas que se prejudica muito com os naturais desfalques que ocorrem durante a temporada, e assim está acontecendo. Por isto, para mim os atuais líderes são os principais favoritos a vencerem desde o começo, e não será surpreendente se assim o fizerem.

Continuando sobre a temporada em questão, Mancini ainda foi vergonhosamente eliminado, mais uma vez, na fase de grupos da UCL, com o clube na última posição e sem uma única vitória sequer. Se a eliminação da temporada anterior aconteceu de um modo em que se dava para justificar, sair de cabeça erguida e engolir, nesta ficou mais difícil. Os argumentos a seu favor se esvaíram como água em terra seca, e ficou um tremendo clima pesado no ar. A cereja veio com a queda para o minúsculo Wigan na final da FA Cup, tratada como salvação de 2012/13, só que há muito mais por trás deste período, pois foi nesta época que assumiram o comando a dupla espanhola Ferran Soriano e Txiki Begiristain para implantar toda uma filosofia advinda do que fizeram no Barcelona anteriormente, e Mancini não fazia parte dela, não era contratação deles, obviamente estava com os dias contados, seria demitido ganhando ou perdendo a FA, e essa decisão foi vazada justamente antes da final.

Pellegrini não, foi contratado justamente para fazer valer a filosofia, e tem o total apoio da diretoria. Mancini tem os méritos de ter montado esta equipe vitoriosa, e que tem rendido frutos até os dias atuais, passando, para isto, por todos os caminhos tortuosos e períodos difíceis, e, amigo, pode crer que não foram poucos, principalmente no começo, quando assumiu algo desacreditado, que parecia que nunca daria certo. A base de seu time está aí até hoje, Pellegrini a recebeu prontinha, forte, para seguir em frente e melhorá-la, e assim o fez, vejo que ele tornou o City uma equipe de futebol mais atraente, com mais volume de jogo, ofensividade, fluidez, e variações que fizeram superar obstáculos sem perder o padrão de jogo, como vamos lembrar das vitórias sem atacantes em campo no final de ano.

E não perdeu a competitividade, conquistou dois títulos domésticos em uma temporada, na de estréia, algo que Mancini não fez, e que não é coisa que se vê muitas vezes em termos de Inglaterra. O chileno tem uma coisa que o seu antecessor não teve: a limitação de investimentos. Mancini trabalhou com o bolso cheio, orçamento ilimitado para trazer reforços, mas hoje em dia não acontece mais. Apesar de ter o apoio dos diretores, só pode contratar reforços pontuais, e de modo que não inflija às regras financeiras da UEFA. Obviamente que hoje em dia não se busca mais montar um time inteiro, mas tenho certeza que Pellegrini não pode trazer tudo que deseja para suas mãos.

Esta análise de cenários e bla bla bla teórico é importante, mas temos que ir aos números para dar um veredicto bem mais direto e confiável sobre o desempenho de cada, e podermos tomar conclusões mais objetivas e sustentáveis nesta discussão sobre os pontos fortes e fracos de cada um, a seguir o comparativo dos técnicos em relação a cada temporada suas na Premier League:

Pelle-Mancio

Para alguns é nestas horas que a conversa passa realmente a interessar, e as verdades são mostradas, mas estas comparanções podem parecer meio injustas, Mancini teve mais tempo de casa, e isso pode indicar números piores do que o que realmente aconteceu. De qualquer forma, Pellegrini tem um aproveitamento de pontos superior. Mas, para mim, o que interessa mesmo nesta tabela está na média de gols marcados e sofridos, que evidenciam bem o estilo de cada treinador: a equipe de Pellegrini marca mais gols, a de Mancini sofre menos.

E esta tem sido uma das principais críticas ao chileno: de ter piorado a defesa, o que pode ser simplesmente consequencia de apostar mais no ataque, como manda o figurino e tantos clamavam anteriormente. O fato é que com Mancini tivemos a melhor defesa da Premier em suas três temporadas completas como treinador, inclusive a última, mas não conseguiu romper a barreira dos 100 gols em uma temporada, como ocorreu com o chileno ano passado, e olha que nos tempos do italiano aconteceram várias goleadas marcantes. Em resumo, Pellegrini nos fez ter um ataque mais poderoso e, em contrapartida, uma defesa mais frágil, uma ode aos amantes do bom futebol, e que acabou valendo a pena em 2013/14.

Outra teoria que favoreceria Mancini é a de que o City era mais robusto em casa, e, diante dos tropeços que estamos tendo esta temporada, também tive esta impressão de que o Etihad não é mais tão fortaleza quanto antes. Mas, pelo menos por enquanto, a informação não se justifica: Mancini teve um aproveitamento de 80,88% em casa, Pellegrini está tendo de 83,33%. O italiano perdeu mais pontos em casa que Pellegrini em três de suas quatro temporadas no comando da equipe, inclusive a que ele começou na metade, mas terminou invicto na do título, com apenas dois pontos perdidos. Mas é bom ressaltar que pelo andar da carruagem, o chileno tem grandes chances de apresentar um desempenho pior no Etihad na temporada corrente, já são 10 pontos deixados para trás em nosso estádio, e estamos apenas na 22ª rodada, o máximo de pontos perdidos por Mancini foi de quatorze.

Cada um pode tirar suas conclusões sobre qual é melhor, ou até achar que os dois são ruins, afinal, sempre temos alguns que vivem em um mundinho onde só existe Guardiola ou Mourinho. Eu, pessoalmente, fui contra a demissão de Mancini, apesar de uma temporada decepcionante e dos vexames na Champions, achava que ele tinha feito por merecer mais uma chance, mas o clube assim decidiu, e eu segui em frente, e hoje tenho pleno apoio ao trabalho de Pellegrini, se houve algum retrocesso, e talvez a equipe de Mancini foi mais regular e confiável no conjunto da temporada, acredito que foi bem menor do que os avanços que ele deu ao time construido pelo italiano, que pode ter algumas instabilidades e momentos ruins, mas não deixou de ir ao encontro dos títulos, e isto é o que importa sempre.

Como eu já disse outras vezes, pode ser que não ganhemos esta Premier, até porque é um campeonato competitivo onde existem vários candidatos e favoritos, nunca vamos ver alguém emendar uma sequencia grande de títulos, principalmente nos dias atuais, e, se isto acontecer, não é motivo para arrancar os cabelos, querer que o mundo se acabe ou o treinador morra. Salvo alguma tragédia, Pelle tem que continuar, pois prego a mesma paciência que pregava em relação a Mancini, e poucos me entendiam. O menor dos problemas é o técnico, temos antes que nos livrar das amarras do FFP e iniciar a renovação.

Sobre João Hugo

Em 29 de dezembro de 2007, fundei o Man City Brazil com o Leonardo e o Fernando. Em 23 de fevereiro de 2017, 10 anos depois, nos tornamos a 1º torcida oficial do Manchester City na América Latina: The Citizens Brasil. O resto é estória pra boi dormir...

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