segunda-feira , 29 maio 2017
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O legado de Roberto Mancini

 
Na última semana o que era óbvio deste antes da final da FA Cup, aconteceu. Roberto Mancini foi demitido após três anos e meio no clube.
O treinador chegou em dezembro de 2009 para tentar consertar o estrago que Mark Hughes havia feito com uma boa equipe, e conseguiu. Cumpriu os objetivos de fazer o City campeão e respeitado, o levando a um patamar acima. Transformou esse projeto em realidade. Foram anos árduos para conseguir isto, quem acompanha a equipe desde o começo sabe bem, mas a duras penas, como a história nos conta, conseguimos.
Pegou uma equipe que não engrenava, que fazia uma campanha aquém do que podia em 2009/10. Vinha de uma sequência de empates absurda, mas ele chegou, tomou conta e colocou a equipe nos eixos, só não foi para a Champions League em sua primeira “meia-temporada” porque os péssimos resultados de Hughes não deixaram, questão de detalhes, e ainda não tínhamos “aquela” equipe.
Mas na temporada seguinte não falhou, e matou dois coelhos com uma única cajadada. Tirou o time do jejum de títulos, com a FA Cup, e acabou em terceiro na Premier, classificando para a Champions pela primeira vez em sua história. Temporada seguinte veio o momento épico: o time é campeão da Premier League após 44 anos. Tem gente que chega a dizer que isto aconteceu por pura e unicamente a qualidade dos jogadores, uma visão muito pequena, um campeonato de 38 rodadas que não tenha o dedo do treinador é algo de se surpreender, e não digo quando o time jogava o fino da bola, mas mais ainda de quando estava em baixa, quando ele levantou a esperança e ambição da equipe, fazendo-os acreditar, tirando uma desvantagem de oito pontos para chegar em um derby pronto para avançar ao título. Outros sucumbiriam ao desânimo…
Nenhum trabalho é perfeito, tiveram seus erros, suas falhas, a contar principalmente as más campanhas na Champions, mas de um modo geral o italiano foi bem sucedido na sua missão, e não tem como não chegar a esta conclusão, penso que até os críticos concordam. Criticado ele sempre foi, e muito, chegou com desconfiança na Inglaterra, com a imprensa inglesa totalmente contra, mas soube demonstrar o seu valor, e com o passar dos anos ganhou respeito, tanto que situação contrária ocorre agora, no momento de sua demissão, com todos questionando por lá a decisão do City.
Para os torcedores ingleses, quase uma unanimidade, completamente idolatrado e tendo seu nome cantado nos estádios, um grande sinal de agradecimento pelo inimaginável status que ele ajudou o clube a construir, pelas glórias que retornaram depois de muito tempo. No Brasil, o questionamento sempre foi grande, com a imprensa de modo geral o achando fraco, e os torcedores divididos sobre seu desempenho a frente da equipe, as reações vão do ódio irracional ao amor literal, dependendo da opinião, que, como teorizo sempre, é profundamente influenciada pela cultura brasileira, correta ou não, de colocar o técnico como o ser menos valorizado do elenco, culpá-lo por tudo sempre que as coisas dão erradas, e nem lembrar do seu nome quando as vitórias chegam.
Dizem que o desempenho nesta temporada, que foi ruim, não foram influentes para a decisão dos executivos, e já era algo tomado antes, independente de títulos e tudo mais. Inoportuno foi esta notícia ter vazado e tomado conta da imprensa as vésperas de uma final, o que com certeza contribuiu para a nossa vergonhosa derrota. Mais inoportuna ainda foi a data escolhida para divulgar a demissão, exatamente um ano após a conquista do título mais importante e mais épico da história do clube. Um dia para comemorações, e apenas isto, ficou com um clima pesado no ar.
Mancini não resistiu a ambição do City, de Ferran Soriano e Txiki Begiristain. Os espanhóis querem moldar o clube a seu jeito, e assim transformá-lo em uma máquina, não só de títulos, mas de gerar receitas e torcedores. Querem elevá-lo a universos bem maiores e mais abrangentes. É hora de conquistar o respeito europeu.
Você pode até ter muita simpatia pelo Mancini, e pode não concordar com sua demissão. Mas temos, acima de tudo, que acreditar na cabeça destes dois caras a quem o Sheik Mansour confiou à missão de conduzir o City, pois foram eles que transformaram o Barcelona no que é hoje. O futuro que nos aguarda é grandioso, e eles sabem o caminho das pedras para se chegar lá. 
 
Para Mancini fica a gratidão por ter ajudado da construção de nosso patamar, por ter sido vitorioso nos primeiros objetivos da equipe. Ele pegou o papel que fora primeiramente confiado a Hughes, que não o fez, e efetivamente colocou a equipe para correr, agora passa o bastão a frente, com a certeza que seu nome está gravado na história.
 
 
Júnior Martins
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Sobre João Hugo

Em 29 de dezembro de 2007, fundei o Man City Brazil com o Leonardo e o Fernando. Em 23 de fevereiro de 2017, 10 anos depois, nos tornamos a 1º torcida oficial do Manchester City na América Latina: The Citizens Brasil. O resto é estória pra boi dormir...

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