segunda-feira , 18 dezembro 2017
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O sádico Manchester City e suas façanhas

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Não era para ser fácil, nem previsível, mas, como sempre, o City nos brinda com o improvável, bem no momento em que quase todos já tinham esvaído suas esperanças, e nos faz emergir em um mar de profundo arrependimento por causa de sermos tão céticos, logo nós, torcedores do City, aqueles que eram pequenos até um dia atrás. Mas não há aprendizado para isto, pelo menos não no meu caso, por mais que eu tenha visto aquela maldita e bendita partida contra o QPR, o exemplo eternamente máximo dessa odisseia que é ser um citizen, e vi já umas 300 e poucas vezes, cada uma delas com a mesma emoção e o mesmo arrepio, ainda não consigo me acostumar a este sadismo com o qual esta equipe nos envolve em cada competição, como se gostasse de nos ver sofrer até clamar misericórdia, para no final apresentar o desfecho mais feliz de todos. E o QPR não é o único exemplo, já vi demais para dizer com propriedade: vai ser sempre assim, pode se acostumar, absolutamente todas às vezes, antes de chegar ao céu vamos passar por uma dúzia de infernos, talvez e somente talvez para nunca nos esquecermos de onde viemos.

Eu sei que depois que passam, nossas cavalgadas épicas só puxam as melhores lembranças, afinal, o final foi feliz mesmo, o sofrimento passado então dá uma enorme incrementada na importância, e acabamos transformando tudo em vantagem, porque, afinal, é isso mesmo. Eu confesso que gostei de ver o City ganhar duas Premier Leagues na última rodada, ainda em disputa com os adversários, e, claro, 2011/12 é ainda mais inesquecível na minha memória pode ter sido conquistada aos 93:20. Sei bem que se tivéssemos conquistados com 10 pontos de diferença e algumas rodadas de antecedência o sentimento estaria longe de ter sido o mesmo, ficaria feliz, obviamente, mas não com a mesma intensidade que tive naqueles dias. A emoção fez as conquistas representarem muito mais para mim, e acredito que para qualquer um, só que, amigos, no exato momento daquilo, a única coisa que você sonha é que tudo saia tranqüilo e os prognósticos sejam cumpridos exatamente como no script. Só que com o City não é assim, é um time que gosta da adversidade e de vez enquanto decepciona na facilidade.

Eu nunca pedi para uma classificação tão difícil nesta Champions League, e embora hoje, neste exato momento, assim como nos próximos dias, me regozije com outra recuperação digna de livros, que ficará ainda melhor quando ganharmos esta bagaça mesmo com uma campanha tão deprimente na fase de grupos, ainda me custa a acreditar que passamos para as oitavas com míseros OITO pontos (em 2011/12 terminamos eliminados com 10), e ainda mais que conquistamos nossa PRIMEIRA vitória apenas na penúltima rodada. Sim, ao final da quarta rodada tínhamos míseros dois pontos conquistados, e perdíamos em casa ridiculamente para o CSKA, com Yaya expulso, de um modo que o que havia em campo era um time sem vontade que havia jogado completamente a toalha. Bom, se eles que ganham milhões para apresentarem um futebol decente haviam desistido, porque eu, que não ganho nada, ia ter esperanças?

Era a mesma rotina das outras vezes, decepção na UCL, decepção na UCL, decepção na UCL… Eu não pensava mais nem em ganhar um dia, queria saber quando teríamos um time couro grosso que saberia jogar a competição. Já preparava meu texto pessimista e ácido me perguntando se essa campanha conseguiria superar em ruindade há de dois anos antes e três pontos. Era provável, o adversário mais fácil já havia passado e tínhamos um belo saldo de um único ponto em duas partidas contra ele, agora era tomar peia do Bayern em casa, e perder para a boa Roma no Olímpico, normal…

Eis o grave pecado que me acomete: não acreditar. No meio do caminho tive que mudar meu texto e acrescentar algumas doses de comedida esperança depois que Aguero virou diante dos alemães em um intervalo de seis minutos, com um detalhe, os gols foram aos 40 e 46 do segundo tempo, só. Ao mesmo tempo em que a boa fase parecia voltar, aonde engrenamos na Premier uma boa seqüência com o argentino herói comendo a bola, eis que nos acontece o último sábado, com a fatídica lesão daquele que é de longe o principal jogador da equipe na temporada. Em uma partida que normalmente seria poupado por causa da decisão de ontem, Aguero teve que atuar justamente pelas lesões dos companheiros de ataque, e antes dos cinco minutos da primeira etapa a esperança se mandou novamente. Acabou, a Champions realmente não é para a gente…

Jogamos contra a Roma precisando no mínimo de um empate com gols, contando com a esperada vitória do Bayern sobre os russos. Eles atuavam pelo 0 x 0, mais fácil, já começavam classificados, era só segurar, mas quiseram definir logo e não depender de resultados, foram com tudo para cima, passamos um sufoco tremendo, principalmente no começo. Quem conhece a equipe titular do City sabe o quanto a equipe estava desfigurada ontem, Aguero foi só a ponta do iceberg de desgraças: Yaya continuava suspenso, Kompany não se recuperou de lesão há tempo, Silva apenas voltava fora de ritmo, ficou no banco. Como ganhar dessa forma?

Perguntem ao Nasri e ao Zabaleta, é a única coisa que me atrevo a sugerir.

Agora é esperar pelas bolinhas quentes da UEFA, sim, depois de pegar o Bayern três vezes em quatro Champions (nos deram “sossego” em uma só para ter o Real Madrid pela frente), estou cada vez mais desconfiado do nosso “azar”. Platini nos odeia, pois só quem pode ter dinheiro são os tradicionais e o PSG. Logo, que venha a próxima pedreira, que venha mais sofrimento, que venha o improvável novamente.

Sobre João Hugo

Em 29 de dezembro de 2007, fundei o Man City Brazil com o Leonardo e o Fernando. Em 23 de fevereiro de 2017, 10 anos depois, nos tornamos a 1º torcida oficial do Manchester City na América Latina: The Citizens Brasil. O resto é estória pra boi dormir...

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