quinta-feira , 17 agosto 2017
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Porque o Sheikh Mansour comprou o Manchester City?

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O que levaria um bilionário das arábias a investir num clube de futebol na Inglaterra

Na terça-feira, o jornalista Stuart Brennan, que trabalha no Manchester Evening News, fez essa pergunta no Twitter após receber alguns abusos de torcedores do United: Qual foi a motivação do Sheikh em investir no City: benevolência, ou negócio?

As repostas foram hilárias:

– Tinha nada para fazer, resolveu comprar um clube.
– Apenas mais um brinquedo dele.
E outras mais.

Se fosse no Brasil também iam dizer lavagem de dinheiro, podem acreditar. Leio muito isso no Twitter. A desinformação é muito grande.

Mas realmente alguém sabe o porquê a Abu Dhabi United Group (ADUG), que tem o Sheikh Mansour Bin Zayed Nayhan como majoritário, a investir no “medíocre” Manchester City?

A resposta é única: diversificação do portfólio financeiro, aumento mundial do status do seu perfil e exposição dos Emirados Árabes Unidos para o mundo.

A família do Sheikh Mansour é praticamente dona dos Emirados Árabes. A família real Nayhan comanda Abu Dhabi desde 1700, e nos últimos 100 anos chegou a possuir 10% das reservas conhecidas de petróleo do mundo. Como consequência, eles literalmente tem tanto dinheiro que não sabem o que fazer.

Seu pai, o Zayed bin Sultan Al Nahyan, foi o primeiro presidente e responsável por unir todos os principados e formar a Federação dos Emirados, e assim criar o país.

Na economia dos Emirados Árabes, 85% é baseado no exportação de petróleo e gás natural. Mas todos nós sabemos, e eles também sabem, que um dia esse recurso natural vai se esgotar. Então, os Emirados Árabes Unidos vêm tentado reduzir a sua dependência nas exportações de petróleo através da diversificação da economia, em especial nos setores financeiro, turístico e de construção. É nesse ponto que entra o Manchester City Football Club.

Alguns anos atrás, uma pesquisa de mercado sugeriu que mais de 70% dos americanos eram contra os Emirados serem donos de uma grande empresa nos Estados Unidos, e isso gerou uma grande preocupação.

Reuniões foram convocadas com o presidente George W Bush, para que ele fizesse uma relação mais positiva entre os países: seu status como o maior mercado de exportação dos Estados Unidos no mundo árabe; o seu apoio militar; sua doação £64 milhões no desastre do furacão Katrina; o fato de que mais navios de guerra norte-americanos visitam portos dos Emirados Árabes Unidos mais do que qualquer país no mundo. Tudo isso ajudou muito.

É muito comum o Sheikh Mansour e seu meio-irmão e presidente dos Emirados Árabes, o Khalifa bin Zayed Al Nahyan, estarem em reuniões com presidentes, primeiros-ministros e reis pelo mundo a fora.

E quando esse encontro acontece com Barack Obama, David Cameron ou rainha Elizabeth II, uma pergunta é sempre usada para quebrar o gelo. “Então”, o dignitário irá perguntar casualmente: “Como é que está o time futebol de vocês?”. Bem, você não quer entrar numa reunião de negócios falando sobre Afeganistão e Síria, não é? Um pouco de bate-papo coloca todo mundo à vontade.

O City pode ser a vida e a morte para algumas pobres almas, mas se você precisa convencer o presidente da América a tirar a “desconfiança” sobre seu país de forma gentil, esse é o caso. De fato, uma empresa dos Emirados Árabes Unidos, a DP World, já possui os portos norte-americanos de Nova York, Miami, Newark-Port Elizabeth, Filadélfia, Nova Orleans e Baltimore. Cinco minutos de conversa fiada em torno do Edin Dzeko em ser o atacante titular do City faz maravilhas, e tira fora qualquer tensão em uma sala de reunião.

Na verdade, com o Abu Dhabi Investment Company possui 90% da Chrysler Building, em Nova York, um icônico arranha céu, e o que está vindo como um choque para os filhos de Sheik Zayed é que eles estão atualmente mais conhecidos por causa de um clube futebol da Premier League. A reputação global de Abu Dhabi está amarrada com os gols de Sergio Agüero, a magia de David Silva, a segurança de Vincent Kompany e os títulos que a equipe vem conquistando.

Um executivo sênior dentro da Abu Dhabi disse ao jornalista Martin Samuel que em 2012 esteve em Abu Dhabi: “Estamos grávidos com o clube. Não, nada disso, não estamos grávidos, tivemos o bebê e estamos distribuindo charutos na sala de espera. O que estamos associados, em todo o mundo, é com o Manchester City. Nós entramos em um sala e é o primeiro tema de conversa.”

Se o plano era colocar Abu Dhabi no mapa usando o futebol, ele funcionou muito mais do que eles imaginavam. O que significa, porém, é que aqueles que presunçosamente preveem que um dia o Sheikh Mansour vai cansar de seu brinquedo e partir, deixando o City com um modelo de negócio insustentável e à beira do colapso, não poderiam estar mais errados.

Abu Dhabi não poderia sair do City agora, e não deseja. E mesmo se quisesse; sua imagem é a imagem do City. Sair do clube e deixar uma bagunça seria um desastre em suas relações públicas globais; destruiria a credibilidade de toda uma região e aqueles à sua frente.

E, na verdade, não é isso o que está acontecendo. A ADUG avaliou vários clubes antes de decidir comprar o City. Eles sentaram com o Garry Cook, que era o CEO do City em 2008, e lhes foi apresentado o que era o Manchester City. A ADUG poderia ter tentado comprar o United, Arsenal ou qualquer outro clube já estabilizado no cenário mundial. Mas para a imagem deles, pegar um clube “medíocre” e transformar num dos mais famosos do mundo, era algo que chamaria mais atenção.

Etihad Campus

 

A região onde foi construído o Etihad Campus, era o falido setor industrial da cidade de Manchester. Todo o lugar está sendo restaurado, o clube construiu um colégio e um centro de esportes para a comunidade. A ADUG fechou uma parceira com a prefeitura de Manchester e vai construir mais de 6 mil casas na área. O leste da cidade, que era deserto e sem vida, está sendo todo transformado.

A Etihad Airways, que é de Abu Dhabi, triplicou seu faturamento desde que começou a patrocinar o Manchester City.

O City hoje tem o sexto maior faturamento do futebol mundial, a frente de clubes como o Arsenal e Liverpool, que estão no holofote há mais tempo.

O Manchester City formou o City Football Group, que no momento estão inclusos o New York City FC, Melbourne City e Yokohama. É outra forma do clube expandir seu nome e buscar mais investimentos e uma “dominação global”.

Para essa temporada, o Manchester City vai fechar seu balanço no branco, nada de saldo negativo. Já para a próxima temporada, começa a trabalhar no azul, tornando-se auto-sustentável.

O Sheikh Mansour foi em Manchester apenas uma vez, em 2010. As pessoas podem pensar que ele não liga para o clube, mas a intenção é justamente essa, que o City seja o City e não o clube do Mansour. Ele não quer sua imagem pessoal relacionada com o clube, da forma que o Chelsea tem com o Abramovich.

Tudo faz parte de um plano. Sheikh Mansour vê o City como um exemplo do mundo árabe para o mundo. Para ele, o clube é um pedaço dos Emirados Árabes na Europa.

Em novembro passado, ele disse numa palestra na Universidade dos Emirados Árabes: “Nossas ambições são grandes e ilimitadas. Nós estamos dando uma boa impressão do investidor árabe.”

Ele completou: “Os investimentos não são apenas para comprar jogadores, como alguns acreditam, mas estabelecer uma academia para desenvolver e formar jovens em nível global, e para o desenvolvimento do futebol na cidade de Manchester em geral. (…) Esta é uma boa oportunidade para a academia de ampliar o desenvolvimento de jovens jogadores que irão reduzir gastos futuros na compra de jogadores”.

No final, ele disse para os palestrantes: “Esse é o nosso clube.”

Estima-se que a ADUG já investiu mais de £1 bilhão no Manchester City. Esse dinheiro provavelmente nunca será recuperado dentro do clube, mas já foi recompensado abrindo as “portas do mundo” para os Emirados Árabes fazer grande investimentos e negócios globais.

O céu não é o limite para o Manchester City, e para aqueles que acreditavam que em alguns anos o clube voltaria a ser “medíocre”, podem esquecer.

O Manchester City Football Club voltou ao topo para ficar.

 

Algumas informações retiradas do artigo do Daily Mail feito pelo Martin Samuel

Sobre João Hugo

Em 29 de dezembro de 2007, fundei o Man City Brazil com o Leonardo e o Fernando. Em 23 de fevereiro de 2017, 10 anos depois, nos tornamos a 1º torcida oficial do Manchester City na América Latina: The Citizens Brasil. O resto é estória pra boi dormir...

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3 comentários

  1. Queria que ele investi-se no ABC de natal.

  2. Aqui no Brasil ele montaria um time campeão com o troco do pão,

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