terça-feira , 23 maio 2017
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Qual o DNA do Manchester City?

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Entendo que todo clube possui um DNA, uma lista de características únicas de futebol e de comportamento. Ideias formadas em sua história e respeitadas pelos seus torcedores, que sempre são procuradas. Falo de características entendidas como essenciais ao time, para que este seja campeão. E se o time for campeão sem essas características essenciais, ok, caneco é caneco, mas não terá o mesmo brilho.

Pense em qualquer clube pelo mundo. Todo clube possui um DNA, possui características únicas: raça, futebol bonito, superação, grandes academias ou esquadrões, valorização da categoria de base, ataques mortais, defesas intransponíveis, times organizados, pragmáticos, letais, frios ou aqueles que protagonizam jornadas épicas, viradas históricas, etc.

Até seleções possuem características únicas. Um DNA. A Argentina, Espanha, Alemanha, Holanda, a Itália, o Uruguai e o Brasil.

Os times ingleses, da mesma forma. A (muito) irritante persistência do time de Ferguson, o futebol bonito do Arsenal, o pragmatismo, ainda que relativo aos tempos mais recentes, do Chelsea, a inegável raça do Liverpool. Todos possuem um DNA, uma identificação.

E o City nessa jogada? Qual o DNA do clube azul de Manchester?

Antes disso, uma constatação: o grande período de ausência de títulos, somado à revolução imposta pelo Sheik Mansour ao clube, em 2008, trazendo jogadores estrangeiros e de qualidade absurda ao clube, causaram certa “confusão” aos torcedores, no que diz respeito a essa identificação da cultura do clube, da história vencedora do clube, ou seja, do DNA do clube. O clube mudou muito nos últimos tempos. Perdeu identificação, apesar dos títulos. Não se fica impune aos quase 40 anos sem caneco e diante de tantas mudanças. Parte da história do clube vai, sim, se apagando com o tempo. Isso é inevitável.

Mas enfim, vamos em frente.

Pesquisando a história do clube, podemos perceber algumas características comuns nos times vencedores do Manchester City.

Podemos notar que o clube, em seus momentos de destaque e de glória, sempre possuiu como característica a existência de uma dupla: grandes jogadores + ataques extremamente eficazes.

Colin Bell, Peter Doherty, Billy Meredith, Franny Lee, Eric Brook, Tommy Johnson, Neil Young, Mike Summerbee, Horace Barnes, Fred Tilson, Niall Quinn, David White, Shaun Goater, Don Revie, Tevez, Aguero, Dzeko.

Joe Mercer e Malcolm Allison, Wilf Wild, Les McDowall, Tony Book.

Um exemplo atual: mesmo quando City contratou um dos melhores volantes do mundo, o cara se destacou pelo seu lado ofensivo. Óbvio que estamos falando do Yaya Toure.

Na história do clube, vale citar o time vencedor da FA CUP 1933–34; Time campeão inglês de 1936–37; O vencedor da FA CUP 1955–56 (e vice de 1954-55); O grupo campeão nacional na temporada 1967-68; O campeão da Copa da Inglaterra na temporada seguinte; O time campeão da Copa de Liga Inglesa e da Recopa Europeia em 1970; O campeão da Copa de Liga Inglesa de 1976, das Supercopas e das boas campanhas desta mesma década.

City não se notabilizou em sua história por ter times com sistemas defensivos sólidos, por ser pragmático ou frio. Sempre, quando obteve êxito e destaque, o clube possuía esta dupla: grandes jogadores + ataques mortais.

E na busca pelo DNA do Manchester City percebemos que o time do atual técnico, Manuel Pellegrini, querendo ou não, “respeita” a tradição dos grandes times do City, em sua história. Mais até que o seu antecessor, Mancini, o qual aplicou a escola italiana ao time, com uma maior organização defensiva.

E é óbvio que vamos lembrar, pensando no DNA do clube, do time campeão inglês da temporada 2013/2014, o qual passou rapidamente da marca de 100 gols. Aquele time era um trem desgovernado no ataque. Ou seja, era e é um reflexo do DNA do City. É o time que vence por 6 a 3, não por 1 a 0.

Eu tenho lá minhas restrições ao trabalho do Pellegrini. Mas, como em muitas vezes, a pesquisa e análise do passado (da história do clube, no caso) nos ajudam a entender o presente.

Assim, para concluir: esta será a terceira temporada de Pellegrini, o técnico que acabou de ter o seu contrato renovado. E procurando o DNA do clube azul de Manchester, podemos perceber que o trabalho feito até agora pelo contestado técnico chileno é bom e é, querendo ou não, um fiel reflexo da história do clube. Pellegrini, no City, montou um time fiel aos grandes e históricos times do City: feroz, brilhante, mas que vive em uma eterna montanha-russa. Time que nos empolga, mas não é frio e calculista. É aquele que nos encanta, mas pode muito bem colocar tudo a perder a qualquer minuto. Aliás, esta é a história do Manchester City. Um clube de fortes emoções.

 

Sobre João Hugo

Em 29 de dezembro de 2007, fundei o Man City Brazil com o Leonardo e o Fernando. Em 23 de fevereiro de 2017, 10 anos depois, nos tornamos a 1º torcida oficial do Manchester City na América Latina: The Citizens Brasil. O resto é estória pra boi dormir...

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