domingo , 26 março 2017
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Quando ele vai aprender?

 

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Ontem acordei pensando em fazer um post sobre o jogo contra o Barcelona. Mas aí encontrei esse texto do meu amigo @viewfromablue, que diz exatamente o que eu penso, e que a maioria dos torcedores que saíram do Etihad na terça sentiram.

Quero agradecer ao Viewfromablue  por me autorizar a transcrever do Inglês para o Português.

Quando ele vai aprender?

A coisa mais frustrante sobre a noite passada não foi perder em casa, nem foi Luis Suarez marcando duas vezes em seu retorno à Inglaterra, nem foi Manuel Pellegrini selecionando uma formação imprudente, nem sua recusa firme após o jogo para reconhecer seus erros. Não. A coisa mais frustrante sobre a noite passada foi a de que era tudo tão inteiramente previsível.

Eu particularmente não quero que isso se transforme em uma crítica prolongada ao Pellegrini à custa dos jogadores que realmente tem a capacidade de influenciar em campo, mas quando você tem um manager que é tão cego para os seus erros, e que comete eles jogo após jogo após jogo, é difícil se concentrar em outras coisas.

Eu deveria, como um torcedor do City estar defendendo Pellegrini até o fim. Ele é o homem que guiou o clube a dois troféus em sua primeira temporada, nos trouxe um emocionante e divertido futebol, e acrescentou uma medida muito necessária de serenidade após explosões provocantes de Roberto Mancini. Mas isso só pode ir até aqui.

Talvez eu teria mais simpatia se ele tivesse mostrado uma capacidade de aprender e de se adaptar, e não cometer os mesmos terríveis erros a todo tempo.

Nem por um momento na preparação para jogo de ontem à noite foi eu considerei que ele iria optar por jogar com dois atacantes. Nem por um momento eu pensei que ele ia deixar no banco o seu melhor meio-campista disponível. Nem por um momento eu pensei que ele iria pedir para seus dois jogadores mais criativos passar grande parte do jogo tentando jogar como segundos laterais.

Talvez isso é um descuido em meu nome, mas quando repetidamente foi demonstrado que uma formação não funciona na Champions League, e que outra se adapta melhor aos nossos jogadores, então é natural pensar que um manager, um homem que deve saber muito mais sobre futebol do que qualquer um de nós, iria perceber o mesmo.

Claro que não.

Assim que a equipe foi anunciada na noite passada, ficou claro que ia ser  longos 90 minutos. Alguns chamaram de audácia, outros chamaram de aposta, eu chamei de tolo. Foi imprudente, uma seleção que cheirasse a arrogância e ingenuidade.

Há, é claro, nada de inerentemente errado com o 4-4-2. Como o City têm mostrado na Premier League, ele pode funcionar com grande efeito. Mas funciona contra equipes inferiores quando você tem o controle da maioria da posse de bola. Ele funciona quando o adversário se senta lá atrás para se defender em números. Ele funciona quando a responsabilidade recai sobre você para “quebrá-los” e evocar um momento de brilhantismo. Assim, para muitos jogos domésticos do City quando a equipe está agredindo o adversário, ter dois atacantes em campo, além de dois meio-campistas criativos, além de dois laterais que fazem overlapping e que fornecem um jogo mais aberto, pode ser o melhor caminho a percorrer.

Contra as melhores equipes, no entanto, você tem que ser pragmático. Você tem que se adaptar. Você tem que aprender, com certeza, a partir de erros anteriores.

E assim, aqui estávamos, com Pellegrini selecionando dois jogadores na frente, em seguida o Silva e Nasri nominalmente nas alas. Se um dos atacantes tivesse trabalhado incansavelmente para voltar para uma posição de meio-campo e tentar ajudar defensivamente, não poderia ter sido uma má idéia. Se Silva e Nasri tivessem sido preparados para voltar e dar cobertura aos laterais cada vez que o Barcelona atacasse, não poderia ter sido uma má idéia. Mas eles não o fizeram e foi óbvio que isso iria acontecer.

City estava em menor número nas áreas centrais e ainda de alguma forma sem expansividade. Fernando e Milner foram terrivelmente engolidos no meio, enquanto Zabaleta e Clichy foram expostos e vulneráveis ​​nas laterais. Dzeko e Aguero foram isolados até o outro lado do campo. Pellegrini configurou sua equipe exatamente como Barcelona teria desejado.

Por que, então, ele não aprendeu com o que aconteceu em Roma? Por que não aprendeu com o desempenho mais completo do City na Champions League em anos? Por que não olhar como ele escalou a equipe naquela noite e perceber que a seu time deu uma exibição controlada e equilibrada, sólida na defesa e perigoso quando foi para a frente?

De muitas maneiras, Pellegrini teve sorte contra a Roma. Ele estava sem Yaya, Silva e Aguero, e que o obrigou a escolher uma formação que funcionou. Então, muitas vezes na Champions League ele persistiu com seu favorito 4-4-2, mas as ausências fez ele escolher um sistema melhor, mais pragmático.

O que naquela noite deveria ter-lhe mostrado é que, não é tudo sobre o glamour e brilho. Trata-se de dar a sua equipe uma melhor chance possível de conseguir alguma coisa do jogo.

Ele escolheu Dzeko sozinho na frente, teve Nasri a fornecer criação atrás dele, e depois teve um meio-campo muito trabalhador que estava cheio de energia e inteligência. Navas e Milner foram soberbos nas alas, na qualidade de uma linha extra de defesa mas também ter a capacidade de oferecer uma ameaça de ataque. Fernando e Fernandinho (lembram dele?) combinaram perfeitamente: sempre incomodando, sempre lá.

Olhando para trás, outras performances memoráveis ​​do City nesta competição, o triunfo por 3-2 contra o Bayern de Munique na temporada passada foi conseguido com um atacante, Silva atrás, e em seguida, uma base sólida de quatro no meio-campo. A vitória por 3-2 contra o mesmo adversário desta campanha se deve muito a finalização mortal de Aguero, mas, novamente, foi um na frente e um meio-campo lotado. Mesmo na temporada passada em casa para o Barcelona, ​​apesar de uma derrota decepcionante, em última análise, City estava contendo eles até expulsão do Demichelis. E, mais uma vez, foi com um atacante na frente e um meio-campo que se fazia presente.

Ser cauteloso pode ir contra todos os princípios de ataque de Pellegrini, mas deve ser descaradamente claro, agora, que é a maneira de se proceder. Então por que abandonar esse plano e ir com uma equipe aberta na noite passada?

Eu não tenho certeza, mas acredito que tudo se resume a arrogância ou teimosia ou ingenuidade. Será que ele pensa que só porque somos o Manchester City temos o direito de jogar com um estilo agressivo contra todas as equipes? Ele é muito obstinado que, embora ele possa reconhecer seus erros privadamente, ele se recusa a corrigi-los, porque isso seria admitir publicamente que ele errou? Ou ele é, e este é, talvez, o pior de tudo, simplesmente ingênuo e está perdido nesse nível?

Ele veio para o City com uma reputação de perspicácia tática, com base em seu trabalho com o Villarreal e Málaga na Champions League. Com equipes inferiores, ele não poderia simplesmente enviar os seus jogadores para o campo sem nenhum plano e apenas com a liberdade de se expressar. Ele teve que se adaptar, ele tinha que encontrar uma abordagem inteligente e tirar o máximo de seus recursos. E ele fez exatamente isso. No entanto, agora ele tem alguns indivíduos excepcionais à sua disposição, e parece ter ignorado a necessidade de instrução.

City tem no goleiro Joe Hart e as finalizações extravagantes do Barcelona para agradecer, por não ter o confronto fora do nosso alcance. E Pellegrini deve ser grato que Messi não marcou o pênalti nos acréscimos ontem à noite, caso contrário, a pressão sobre o chileno seria ainda maior.

Claro, poderia ter sido diferente se o City tivesse capitalizado algumas de suas chances logo após o intervalo, e agora vamos viajar para a Espanha em poucas semanas com o brilho mais suave de esperança. Mas a realidade é que nós fomos ensinados outra lição na Champions League. A questão para Pellegrini é, quando ele vai aprender?

Para quem tem conhecimento da língua inglesa vale apena prestigiar o site do Viewfromablue

Sobre João Hugo

Em 29 de dezembro de 2007, fundei o Man City Brazil com o Leonardo e o Fernando. Em 23 de fevereiro de 2017, 10 anos depois, nos tornamos a 1º torcida oficial do Manchester City na América Latina: The Citizens Brasil. O resto é estória pra boi dormir...

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