domingo , 20 agosto 2017
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Um derby diferente

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Domingo teremos que sair de Manchester paravisitar o United em Salford e sua multidão de turistas do Old Trafford. Normalmente, apesar de conhecer os perigos do jogo, eu estaria otimista como nunca com o histórico recente, já são quatro vitórias seguidas, não perdemos pra eles desde 2012, e em jogos fora de casa, pasmem, o jejum dos diabos é maior: a última vitória foi em fevereiro de 2011, há mais de quatro anos atrás. Claro, são diversos números que não valem nada agora, há não ser por serem daquelas estatísticas que a gente nunca imaginaria ver a alguns anos atrás.

Bom, mas o que interessa para é o péssimo momento que vivemos desde que 2015 apareceu nos calendários. O ano está insosso, levado a lógica de uma montanha russa, e nos deixa uma sensação de pouco entendimento sobre o que acontece pelos lados do CFA. E para esclarecer, eu não sou daqueles que acha um absurdo não terminar todos os campeonatos em primeiro, com 10 pontos há frente dos demais, não sou torcedor de FIFA, mas sim do City, e pelo menos tento seguir a regra a obrigação da humildade de um monge budista, me desvirtuando de sentimentos eufóricos, mas nem nos meus piores pesadelos eu imaginaria tanta queda de rendimento em um espaço tão curto de tempo.

Eu nem estou pensando que em maio do ano passado, com o mesmo elenco e o mesmo técnico no banco, conquistamos heroicamente um campeonato cheio de reviravoltas e dado algumas vezes como perdido, bem ao nosso estilo. Mas quando penso que em 01 de janeiro deste ano dividíamos a liderança com o Chelsea, estando significantes nove pontos a frente dos rivais do final de semana, só me leva a crer que um maremoto atingiu a estrutura recém inaugurada pelo clube sem ninguém perceber. De quem é a culpa? Pellegrini de uma hora para outra se tornou um asno? Os jogadores resolveram apenas curtir os louros das vitórias passadas e estão agora de sacanagem com todo mundo? Os diretores não conseguem contratar ninguém decente?

Bom, fazer essas perguntas, ou melhor, julgamentos e acusações, é o que mais acontece em tempos de crise, ainda que careçam de embasamento teórico e dados analíticos suficientes para serem considerados. O fato é que temos uma base vitoriosa que não se renova há quatro anos, que, dependendo do humor (ou da temporada), pode encantar ou nos matar de sono, ficando a critério dos protagonistas a escolha da vez.

O United, por sua vez, só nos fez rir a temporada passada, humilhamos os vermelhos nas duas voltas e ainda deu tempo de fazer campanha para o Moyes ficar. Infelizmente (para nós e não para eles), eles não tiveram a paciência de Jó, que aliás, é exigir demais de alguém que tem um pacto com o capiroto, e chutaram o traseiro do escocês antes que ele pudesse realizar mais estragos, trazendo alguém, digamos, mais de nível para o seu comando, sem não deixar também de imitar o City (segundo consta) e gastarem um mar inteiro de dinheiro em gente que hoje já fez o básico de quem fracassa e começou a reclamar do clima da cidade.

Até parecia que, ironicamente, a temporada da trupe serviria para a alegria alheia, com um começo cambaleante em que o time demorou para se acertar. Neste meio tempo trouxemos mais uma vitória para casa, com certa magreza e tal, mas que não deixou de representar a continuidade dos novos tempos em que trocamos de lugar com eles. E tudo corria bem até dezembro de 2014, ano em que se seu soubesse o que viria depois nunca deixaria acabar, onde mesmo que terminássemos atrás do Chelsea e cumpríssemos nossa obrigação anual fixada em contrato de sermos eliminados para o Barcelona, não haveria muito a reclamar e poderíamos seguir em frente de cabeça erguida, até porque, por contrato também, vamos ganhar a próxima Premier.

Mas o que se viu dali em diante foram apenas quatro vitórias em 11 partidas, e, algo incomum aconteceu na última rodada, fomos ultrapassados pelo United! Não é zoeira, realmente eu estava desacostumado a ver essa configuração na tabela, assim como eles, acho. Há muito tempo eu também não via o City em posição tão modesta a essas alturas da peleja, o que mostra o quando estou mal acostumado, realmente. Pois é, os devils conseguiram corresponder mais as expectativas, e, embora não estejam ainda em seu nível de outrora, pelo menos vêem um horizonte mais lúcido, conseguindo exatamente 10 pontos a mais do que nós no período analisado.

Mas, assim como o aquecimento global, ainda a tempo de se evitar o pior, e nada como um clássico para resgatar velhos sentimentos, ou pelo menos ligar o sinal de alerta para que os jogadores voltem a ter um rendimento condizente ao salário que ganham. Se tem uma coisa que aprendi com os anos é que o City gosta de jogos grandes, e isto mesmo nos tempos em que era muito inferior aos rivais, mas tenho também minhas dúvidas e um medo tremendo de como este clássico vai afetar os destinos da temporada, ou se ele está vindo em boa hora.

Um revés pode fazer com que Liverpool e Tottenham encostem no retrovisor num piscar de olhos, assim como um Camaro chega bufando em um velho Fiat 147, o que significa que até a vaga na Champions começa a correr sérios riscos, isto, elevado ao quadrado, revela não somente o cateto oposto da hipotenusa, mas um verdadeiro e inimaginável fracasso na temporada, pois se é horroroso em termos puramente futeboleiros, mais ainda no tocante ao lado extra-campo, e logo no momento em que precisamos mais e mais de dinheiro entrando no caixa para driblar o maldito FFP, este o grande causador de todas as nossas agruras e sofrimentos. É uma realidade tão inimaginável para o novo City, que é melhor bater na madeira três vezes (realmente o fiz) e se apegar a todos os amuletos para não acontecer…

Que calcemos as sandálias da humildade.

Sobre João Hugo

Em 29 de dezembro de 2007, fundei o Man City Brazil com o Leonardo e o Fernando. Em 23 de fevereiro de 2017, 10 anos depois, nos tornamos a 1º torcida oficial do Manchester City na América Latina: The Citizens Brasil. O resto é estória pra boi dormir...

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