quarta-feira , 26 abril 2017
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Um novo Yaya para 2015/16

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Terminamos a temporada 2014/15 com o que parecia ser uma certeza: seria a última de Yaya Touré com a camisa do Manchester City. Íamos ao curso de uma separação amigável após uma linda e proveitosa história de amor, que teria seu fim decretado antes que acontecessem os desentendimentos que levassem a destruir rapidamente uma reputação edificada no passado.

O marfinense fez um 2013/14 espetacular, com 24 gols na temporada, 20 apenas na Premier, sendo o terceiro artilheiro da edição e liderando a equipe para o título. Naturalmente se criou muita expectativa para a que vinha a seguir. Porém, seu desempenho definitivamente não foi o mesmo, seus gols caíram pela metade, 12 no total, 10 na Premier, e não se resume a isto, Yaya deixou de ser uma figura protagonista, líder em talento. Mais ainda, sua passividade defensiva foi apontada como responsável por uma fragilidade no setor que pode ter nos custado alguns reveses determinantes para os fracassos na temporada.

Diversas vezes me senti, de certa forma, incomodado com a falta de entrega do jogador, que em vez de demonstrar seu conhecido poder de decisão, com aquelas arrancadas imparáveis, ou a pontaria certeira, desaparecia em campo, sem construir jogadas efetivas no ataque, nem ao menos sendo combativo na marcação, atuando na verdade como um privilegiado expectador em campo, e apenas isto.

Com esses acontecimentos, certamente surgiram nas cabeças dos torcedores especulações sobre o porquê de uma mudança tão brusca e surreal entre duas temporadas seqüenciais. Para alguns, ele poderia estar de sacanagem, jogando no modo “f*da-se” por estar desiludido após o fatídico “episódio do bolo”, logo depois do título em 2013/14, quando, por meio de seu agente, se declarou não valorizado pelo City.

A segunda hipótese, bem mais plausível, diz apenas que isto é reflexo do declínio natural de sua carreira. Yaya não é mais um garoto, já são 32 anos completos em maio. Pode-se especular que o Barcelona o impediu de ser até maior do que foi, o prendendo em posições defensivas que hoje em dia soam como heréticas. Touré teve seu auge um pouco tardio, por sorte, este foi no City, que o deu condições para desabrochar, mas também implicou em uma queda mais brusca do que gradual, como é natural nos demais atletas.

Retornando a situação colocada no início do texto, era um ciclo que parecia pedir para se encerrar. Uma mudança de ares benéfica para as duas partes. Para Yaya, uma nova motivação na sua carreira, para o City, como a deixa para iniciar uma renovação já necessária, pois esta base que tanto nos deu alegrias parece se encaminhar aos seus últimos suspiros. O processo teria que começar por alguém, uma hipótese seria por aquele que já não se mostrava tão importante como antes.

Touré estava inevitavelmente tentado a explorar terras italianas, reencontrando o técnico responsável por sua vinda ao clube, e transformá-lo em um jogador totalmente diferente e maior do que antes: Roberto Mancini. Ao City, caberia o papel de não impor muitas condições para liberá-lo. Aberta a janela, o que era certo não foi, o negócio esfriou, as coisas mudaram, Yaya quis ficar. Logo, continuamos com nosso grande jogador, o que também não deixa de ser um privilégio.

A súbita mudança dos ventos implica em uma necessidade urgente, que definirá se Yaya vai continuar sendo importante, neutralizando suas fragilidades que prejudicam a equipe, ou terminará por passarmos pelos mesmos problemas de outrora. Em resumo, Pellegrini terá a missão de adaptá-lo para a nova fase de sua carreira, ou, sendo ainda mais claro, temos que livrá-lo de suas obrigações defensivas! Pelo menos, obrigações que sejam tão importantes e primordiais, como em sua posição atual.

Não é inovação tática, adiantar o marfinense em campo, transformando-o efetivamente em meia foi elemento surpresa introduzido por Mancini em partidas que o City passava por apuros, e foi algo que deu certo. Basta Pellegrini fazer adaptações para torná-lo permanente, voltando a apostar nesta mudança tática.

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Se o chileno mantiver o padrão com que terminou a última temporada, ou seja, só com Aguero lá na frente, não precisamos bater cabeça para armar o time: teríamos uma trinca ofensiva com David Silva, Yaya assumindo a função de Lampard, além de Nasri ou Sterling. Atrás teríamos Fernando/Delph e Fernandinho, com a defesa bem resguardada, ou seja, na teoria resolvendo o principal erro de Pellegrini em 14/15. Vale lembrar que o time voltou a jogar bem com esse esquema, encerrando a temporada em alta.

Caso De Bruyne chegue, ele substituiria Nasri/Sterling, mas pode ser mais difícil imaginar que Raheem seja sacado da equipe, ele acabaria sendo adiantando e colocado como um atacante aberto, fazendo companhia a Aguero. Neste caso, Yaya teria que voltar para a sua posição tradicional, ou então, esquentar banco.

A bomba está com Pellegrini, e me parece um erro claro insistir com ele como segundo volante, se o preço para isto for sacá-lo do time titular, acho que vale a pena pagar. Nem precisam me recitar seus feitos, a alegria que já nos proporcionou, seu tamanho na história do clube, etc, etc, etc. Sei disso mais que tudo, só que o passado não pode ser inviabilizador de decisões necessárias que implicam na nossa evolução.

A realidade muda, e hoje precisamos de um novo Yaya para um novo City.

Sobre João Hugo

Em 29 de dezembro de 2007, fundei o Man City Brazil com o Leonardo e o Fernando. Em 23 de fevereiro de 2017, 10 anos depois, nos tornamos a 1º torcida oficial do Manchester City na América Latina: The Citizens Brasil. O resto é estória pra boi dormir...

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